A mulher no teatro galego do pós-franquismo: análise a partir de “Antígona, a forza do sangue” de María Xosé Queizán

Maria Fernanda Castro Silva

Aluna de Literatura Galega I na UERJ

I. INTRODUÇÃO: O IMPACTO DO FRANQUISMO NO TEATRO GALEGO

Em 1939, o general espanhol Francisco Franco, representante das forças fascistas que combateram na Guerra Civil espanhola (1936-39) contra os republicanos, toma o poder estatal e implanta uma ditadura que duraria os próximos 40 anos. Durante esse período, conhecido como Franquismo, o povo espanhol presenciou o exílio e o assassinato de muitos estudiosos, escritores e artistas cujas produções eram potencialmente perigosas ao regime ditatorial.

Assim, como é de se imaginar, houve uma inevitável redução da produção literária realizada dentro da Espanha, afinal muitos exilados, ainda que continuassem escrevendo, já não estavam em sua terra natal. Nesse contexto, a situação na Galícia era ainda mais crítica: em função dos esforços centralistas em promover o castelhano como língua nacional e única, as publicações em língua galega dificilmente eram autorizadas, o que causou o esmorecimento da literatura galega por alguns anos, especialmente na década de 40.

A literatura dramática em galego, então, surgiu, entre outros, “co obxectivo de demostrar a validez da lingua para o rexistro culto e literario e así neutralizar as acusacións de rudeza e incultura procedentes do discurso centralista español, política e culturalmente dominante” (VIDAL, 2009, p. 162), foi intensamente reprimida. Isso aconteceu não só devido a seu potencial crítico, mas também – e principalmente – porque, naquele período, a própria língua galega e a coragem de registrá-la simbolizavam a resistência à opressão franquista direcionada às minorias, no caso, linguísticas.

No caso específico do gênero teatral, que sempre havia tido uma presença pouco significativa no espaço público galego, a chegada da ditadura franquista acarretou praticamente sua total supressão da vida pública (VIDAL, 2009, p. 149). Tal situação só começou a ser revertida perto dos anos 50, com a publicação de obras teatrais e poéticas que tematizavam, fundamentalmente, o âmbito rural. Ainda assim, “durante os primeiros trinta anos da ditadura franquista non se pode falar, sen inxenuidade, de actividade teatral en Galicia (VIDAL, 2009, p. 150). Ou seja,

Se a escrita de textos dramáticos neste periodo resulta pouco relevante en termos cuantitativos, polo que se refire á actividade escénica levada a cabo en Galicia durante a ditadura as referencias aínda son máis escasas e redúcense fundamentalmente ao chamado teatro de cámara, […] unha forma de representación e de dramaturxia que limita los medios de expresión escénicos, el número de actores y espectadores, la amplitud de los temas tratado. Este tipo de teatro, en xeral, xurdiu coma unha reacción elitista contra o grandioso aparato do teatro burgués (VIDAL, 2009, p. 152).

II. REDEMOCRATIZAÇÃO E REFLORESCIMENTO LITERÁRIO NA GALÍCIA

Já em 1950, foi fundada a Editoral Galaxia, a responsável pela normalização literária em galego que, “con case 2.000 volumes editados e un catálogo vivo de arredor de un milleiro de títulos, constitúe hoxe a referencia histórica da edición en lingua galega” (GALAXIA, 2006). Entretanto, foi só a partir de 1981, quando da aprovação do Estatuto de Autonomia da Galícia, cinco anos após a morte de Franco, que a literatura em língua galega pôde de fato se reorganizar e se desenvolver, agora livre dos antigos empecilhos legais declarados.

Nesse momento, paralelamente aos esforços por parte dos escritores galegos no sentido de consolidar a legitimação de sua língua e de criar uma literatura emancipada em língua galega, persistia a participação minoritária das mulheres no âmbito produtivo e intelectual. No próprio site da editora Galaxia (2006), são mencionados apenas nomes de homens quando se faz referência aos “autores e autoras máis significativos das letras galegas” e, em se tratando dos “autores clásicos e autores modernos, pertencentes ás sucesivas xeracións que se incorporaron ao cultivo do idioma durante estas décadas”, são mencionados apenas 9 nomes femininos sobre um total de 40.

Dessa maneira, as mulheres, historicamente relegadas à vida privada, permaneciam subrepresentadas; era mantida a forma de divisão do trabalho social com base nas relações sociais de sexo, caracterizada pela destinação prioritária dos homens à esfera produtiva e das mulheres à esfera reprodutiva (KERGOAT, 2009). A década de 80, contudo, foi também o período de fortalecimento das lutas pela liberdade sexual e pela igualdade de direitos que já vinham ganhando corpo desde os anos 60. Essa crescente conscientização, portanto, não poderia deixar de se manifestar na literatura.

Com efeito, é no final dos anos 80 que María Xosé Queizán publica a peça de teatro Antígona, a forza do sangue, obra protagonizada por Elvira, uma “Antígona galega”, personagem que carrega em si, conjugadas, as lutas pela emancipação territorial, pela emancipação linguística e, sobretudo, a luta pela emancipação feminina. Aliás,

Na dramaturxia de Mª Xosé Queizán a condición feminina sempre é un tema central. As cuestións de xénero e a denuncia dunha desigualdade inxusta paira por grande parte da súa obra. A propia autora tenme manifestado a súa vontade de facer un teatro moral e ideolóxico sen complexos. E esa misión faise explícita en Antígona ou a forza do sangue (BECERREÁ, 2012, p. 2).

Queizán, nascida em 1939, portanto em um período de escassez produtiva no campo da literatura e de intensa desvalorização do galego, dedica, ainda hoje, seus estudos à investigação sobre a situação feminina, não só na Galícia, mas lá também. Além de trabalhar como tradutora e escritora de ensaios, romances, contos, poesias e peças de teatro, Queizán foi codiretora do grupo teatral Feministas Independentes Galegas (FIGA), diretora da Galeria de Arte Roizara de Vigo, vicepresidenta do Conselho Municipal da Mulher de Vigo e diretora e organizadora do I Encontro de Mulheres Poetas Peninsulares e das Ilhas. Criou a revista Festa da palabra silenciada, feita só por mulheres, que coordena e dirige desde 1983. Publicada em 1989, a obra de que trataremos a seguir – Antígona, a forza do sangue – lhe rendeu reconhecimentos, dentre eles ser finalista do Prêmio Álvaro Cunqueiro.

Além disso, Queizán mantém uma página na internet na qual publica eventualmente textos que procuram promover uma reflexão acerca da condição social das mulheres na história. O último deles, publicado em fevereiro deste ano e intitulado Son, somos proxenetas, é introduzido com as seguintes afirmações/constatações: “As mulleres estamos no mercado, sempre estivemos no mercado. Existe o mercado público, coñecido co nome de prostitución, e o mercado privado, ao que se lle chama matrimonio, familia, fogar” (QUEIZÁN, 2015).

III. ELVIRA: A ANTÍGONA GALEGA

Ao escrever Antígona, a forza do sangue (1989), que consiste em uma releitura do mito grego publicado pela primeira vez em formato de peça de teatro por Sófocles há quase 25 séculos, María Xosé Queizán segue tratando de temas recorrentes em suas produções, como a colonização sexual das mulheres, e questionando a ideia da maternidade biológica, ou seja, de que a mulher nasce para ser mãe e de que essa é sua única função natural, além de proporcionar reflexões sobre a escrita não androcêntrica, isto é, não centrada em figuras masculinas.

Na peça em questão, a autora recorre à personagem mitológica Antígona, reencarnada em muitas obras ao longo da história e caracterizada sempre, antes de tudo, como um símbolo de insubmissão à lei, o primeiro personagem a dizer não, uma rebelde (SICOT, 2011, p. 818). E, “coa escolla desta figura mítica e a súa historia para a estructura básica da peza, a autora fai unha versión moi persoal do mito” (MAÑAS, 2007, p. 273), afinal, em uma Galícia que conquista sua autonomia, não poderia deixar de haver uma Antígona “autônoma”, mulher marginalizada porque, além de ser mulher, é falante de uma língua minorizada como o galego (SICOT, 2011, p. 820).

De fato, a figura de Antígona é perpassada pela noção da resistência ao arbitrário do Estado, e daí a “explosão de Antígonas” durante os revolucionários anos 60/70 (DUROUX; URDICIEN apud PUPB, 2009, p. 453). Nesse sentido,

la obra de María Xosé Queizán adquiere una significación que trasciende con mucho la de una voz individual talentosa. Se convierte en paradigma de la lucha por superar una doble ‘minorización’: la del mundo literario gallego y la de las mujeres gallegas dentro y fuera de ese mundo (REIZS, 1995, p. 208).

Elvira é a heroína da Galícia da Idade Média que defende a si mesma ao defender sua nação e seu povo, falando a mesma língua que ele – o galego. Ela é “o modelo feminino que María Xosé Queizán interpreta como metáfora da muller galega: consciente da súa dobre identidade nacional e feminina” (MAÑAS, 2007, p. 273). Assim como a Antígona do mito grego, Elvira é o fermento para a subversão dos poderes tirânicos e para a configuração de uma nova ordem moral e sociopolítica (RAMOND apud PUPB, 2009, p. 454).

Queizán procede, assim, a uma “galeguização” da história original, enaltecendo a independência e a sabedoria das mulheres e questionando os poderes estabelecidos. E, no fim, a “justiça poética” se superpõe às leis patriarcais (GARCÍA NEGRO, 2012, p. 235): Elvira vence sua dupla luta – nacional e de gênero – ao se suicidar,

xa que no final o seu suicidio supón unha decisión propia e unha actuación consecuente co seu pensamento e cos seus actos. Nin sequera na morte é vencida porque é ela mesma quen a leva a cabo, é ela quen decide como quere permanecer na historia (a liberdade de pensar fronte á maternidade obrigatoria) e non os seus inimigos, a súa morte converte a súa figura en heroína e á súa historia en traxedia (MAÑAS, 2007, p. 279).

A luta da protagonista, que assume um aspecto de confronto constante aos personagens masculinos dotados de poder, é de caráter ativo. Ela é muito consciente da diferença de tratamento entre homens e mulheres e denuncia essa distribuição desigual de papéis, opondo-se a ela de maneira clara, direta e até mesmo agressiva. Ademais, Elvira é uma mulher forte, segura de suas decisões, o que fica evidente em sua fala: “Non obedecerei máis ordes que as da miña conciencia, e esta obrígame a honrar ao meu querido irmán.” (Queizán, 1989, p. 40). E é essa consciência que a impele a entrar na luta ativa e, consequentemente, na esfera pública, âmbito tradicionalmente masculino, ao mesmo tempo em que recusa a esfera privada ao renunciar ao casamento com o Rei e a gerar filhos do monarca (MAÑAS, 2007, pp. 278-279).

Outro traço marcante da autonomia de Elvira é sua negação da passividade, comportamento pelo qual ela é acusada de não amar “como uma mulher”. Realmente, ela não se resigna ao papel submisso que corresponderia ao seu gênero, porque “é activa no amor, decide con quen quere estar, a quen quere amar e con quen compartir a súa vida” (MAÑAS, 2007, p. 278).

Elvira é uma mulher de iniciativa própria, atributo essencial para dirigir a resistência feminista e nacionalista. Em outros termos,

A conciencia nacionalista da particular Antígona de María Xosé Queizán é unha característica fundamental deste novo modelo feminino, mostra nela a unha muller consciente da súa identidade nacional, implicada no conflicto que vive a súa terra e que decide consecuentemente actuar para cambialo. É a súa condición feminina a que fai dela un personaxe excepcional nunha labor combativa que en tantas figuras literarias masculinas parécenos a propia. Ela ten moi clara tamén esta condición, Elvira é consciente da súa identidade feminina e da transgresión que supón a súa actuación, pero acéptaa e defende outra maneira de ser muller, o que interpretamos como metáfora da muller galega (MAÑAS, 2007, p. 277).

IV. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Em linhas gerais, independentemente da forma como se conceba a literatura, a obra literária aqui trabalhada pode ser compreendida como a resposta indignada à situação de opressão que persiste sobre as mulheres, em particular sobre as mulheres galegas; ou como o reflexo de uma nova realidade, de uma nova ordem social que está sendo construída e na qual as mulheres investem em sua autonomia; ou como uma pergunta, um questionamento sobre a posição social da mulher e sobre a naturalização dos papéis a ela atribuídos. Mas a releitura galega de Antígona representa, acima de tudo, um anseio.

Um anseio porque, apesar da democratização e do processo de abertura política pelos quais passou a Espanha nos anos 70/80, que culminaram na conquista de direitos e de liberdades fundamentais, a violência de gênero subsiste e é reconhecida pelo Estado, que, a fim de “pensar medidas integradas para previr e eliminar a violencia contra as mulleres”, se propõe “estudar as causas e as consecuencias da violencia contra as mulleres e a eficacia das medidas de prevención” (XUNTA DE GALICIA, 2001, p. 11). Tais ações ainda são necessárias porque, infelizmente,

Apesar das profundas transformacións sociais que se produciron nas últimas décadas, coa incorporación das mulleres a tódolos ámbitos da vida social, e os indubidables progresos xurídicos e formais inherentes a esta, o feito certo é que non se pode falar, aínda, da existencia dunha igualdade real entre homes e mulleres (XUNTA DE GALICIA, 2001, p. 8).

Nessa conjuntura de democracia seletiva ou parcial, a escrita de uma obra como Antígona, a forza do sangue por María Queizán, uma mulher que viveu a maior parte de sua vida sob um regime fascista, nos faz pensar nas outras possibilidades, sugere o que poderia ter sido. A trama da peça toma lugar na Galícia do século XI, tempo decisivo na existência do Reino de Galícia. Antígona é Elvira, representação da nobreza galega “no sumisa al poder extranjero y de la mujer digna que no admite sujeción de ningún elemento dominante masculino, sea el tirano, sea su hijo, con quien rechaza firmemente ser casada” (GARCÍA NEGRO, 2012, p. 230).

Queizán, portanto, por meio da personagem Elvira, cujo referencial é o ser humano, mais estritamente a mulher galega, desenvolve os temas a partir do mundo que a cerca. E, assim, Elvira encarna o feminino em busca de emancipação e se constitui numa representação contrária à representação clássica da mulher incapaz e submissa, num contraponto ao cânone literário, marcado, por sua vez, pela exclusão das mulheres enquanto sujeito do discurso e pela adulteração na representação da experiência e história femininas.

Dado, portanto, que a linguagem é determinante na construção das representações e que uma menina não pode se tornar o que não vê, pode-se dizer que María Xosé, em Antígona, a forza do sangue, elaborou o conjunto de enunciados pronunciados pela protagonista baseada em seu pensamento como mulher e pesquisadora e na própria realidade que cerca sua vida a fim de construir uma referência para o público feminino. Isso porque

As palavras dos personagens, possuindo no romance, de uma forma ou de outra, autonomia semântico-verbal, perspectiva própria, sendo palavras de outrem numa linguagem de outrem, também podem refratar as intenções do autor e, conseqüentemente, podem ser, em certa medida, a segunda linguagem do autor (BAKHTIN, 1990, p. 119).

Desse modo, por meio da linguagem literária, a autora revela a busca da mulher galega pela igualdade de gêneros num contexto permeado também pela busca da emancipação linguística e territorial. Elvira é uma amálgama de minorias que se entrecruzam e, consciente de sua situação, sabe que sua luta deve articular diferentes formas de resistências às diferentes formas de opressão.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BAKHTIN, Mikhail. Questões de Literatura e Estética: A teoria do Romance. São Paulo: Hucitec, 1990.

BECERREÁ, Afonso Becerra de. Ritos de sangue: unha transfusión anovadora na dramaturxia de Mª Xosé Queizán. Revista Galega de Teatro. Nº 72. Setembro de 2012. Disponível em: <http://www.revistagalegateatro.com/wp-content/uploads/2013/03/ritos-de-sangue.pdf&gt;

EDITORIAL GALAXIA. As orixes. 2006. Disponível em: <http://www.editorialgalaxia.es/editorial/historia.php&gt;

EL CORREO GALEGO. Mª Xosé Queizán ou o feminismo. 2008. Coluna O PERSONAXE. Disponível em: <http://www.elcorreogallego.es/lo-mas/lo-mas-visto/ecg/m-xose-queizan-ou-feminismo/idEdicion-2008-11-09/idNoticia-362239/&gt;

GARCÍA NEGRO, Pilar. Refacción de mitos clásicos en el teatro gallego contemporáneo. In: Aurora López, Andrés Pociña e María de Fátima Silva (coords.): De ayer a hoy: influencias clásicas en la literatura, Coimbra (Portugal), Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da Universidade de Coimbra, 2012, pp. 227-236 [ISBN Dixital 978-989-721-038-9].

KERGOAT, Danièle; Divisão Sexual do trabalho e relações sociais de sexo. In: HIRATA, Helena; LABOIRE, Françoise; DOIRÉ, Héléne Le; SENOTIER, Danièle. Dicionário crítico do feminismo. 1ed. São Paulo, SP: UNESP, 2009.

MAÑAS, Emma. Antígona, metáfora da muller galega. Actas do VII Congreso Internacional de Estudos Galegos. Mulleres en Galicia. Galicia e os outros pobos da Península. Barcelona 28 ó 31 de maio de 2003. Ed. de Helena González e M. Xesús Lama. Sada: Ediciós do Castro / Asociación Internacional de Estudos Galegos (AIEG) / Filoloxía Galega (Universitat de Barcelona), 2007. ISBN: 978-84-8485-266-7. Depósito Legal: C-27912007.

PUBP. Les Antigones contemporaines (de 1945 à nos jours): Resumes. 2009. Maison des Sciences de l’Homme de Clermont-Ferrand. ISBN – 978-2-84516-407-9. Disponível em: <http://www.msh-clermont.fr/IMG/pdf/Antigones-Resumes.pdf&gt;

QUEIZÁN, María Xosé. Son, somos proxenetas. Fevereiro de 2015. Disponível em: <https://mariaxosequeizan2.wordpress.com/2015/02/01/son-somos-proxenetas/&gt;

REISZ, Susana. ‘Daquelas que cantan …’: voces de mujer en la poesía gallega contemporánea. 1995. Lehman College y Gradúate Center, CUNY. Centro Virtual Cervantes. AIH. Actas XII. Disponível em: <http://cvc.cervantes.es/literatura/aih/pdf/12/aih_12_5_031.pdf&gt;

SICOT, Bernard. Les Antigones contemporaines (de 1945 à nos jours). Bulletin hispanique [En ligne], 113-2. 2011. pp. 816-821.Disponível em: <http://bulletinhispanique.revues.org/1480&gt;

VIDAL, David García. Teatro galego e construción nacional: os Cadernos da Escola Dramática Galega (1978-1994). Julho de 2009. A thesis submitted to The University of Birmingham for the degree of Doctor of Philosophy. Department of Hispanic Studies. College of Arts and Law. The University of Birmingham. Disponível em: <http://etheses.bham.ac.uk/972/2/GarciaVidal_10_PhD.pdf&gt;

XUNTA DE GALÍCIA. A violencia de xénero en Galicia: Plan de acción 2002-2005. Publicado em 2001. Disponível em: <http://igualdade.xunta.es/sites/default/files/files/documentos/planviolx.pdf&gt;

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