Os Estudos Galegos no Rio de Janeiro

Denis Vicente

Professor-leitor de galego na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2014-2015)

O Programa de Estudos Galegos (PROEG) foi criado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro no ano 1996. Segundo os seus próprios estatutos, os objetivos do programa são:

• desenvolver, estimular, dar apoio e assistência a atividades relativas ao ensino, à pesquisa e à extensão em áreas do conhecimento que envolvam ou se relacionem com a língua, a literatura e a cultura galega.

• promover o intercâmbio cultural com a Galiza.

Buscando alcançar estes objetivos, o PROEG oferece 4 disciplinas eletivas universais no Instituto de Letras, e promove eventos diversos sobre a cultura galega. As eletivas do PROEG são: Língua Galega; Introdução à Cultura Galega; Literatura Galega I e Literatura Galega II. O número de alunado inscrito tem sido bastante elevado nos últimos anos, contando com 57 alunos e alunas no 2014 e com 58 no ano 2015, fundamentalmente de Letras, mas também de História, Relações Internacionais, Trabalho Social ou mesmo de Física.

No ano 1998, foi assinado um convênio de colaboração entre a Consellaria de Educación e Ordenación Universitaria da Xunta de Galicia e a UERJ, que continua vigente, para a criação de um Leitorado, envio de um professor de galego vindo da Galiza, no PROEG. Assim, desde este momento vários foram os galegos e galegas que atuaram como professores na UERJ: Beatriz Gradaille, Baltasar Pena ou Diego Rico, entre outros/as.

Quanto à direção, desde o início, e até o ano 2014, o programa foi coordenado pela professora Amparo Maleval, reconhecida especialista no estudo da lírica medieval galego-portuguesa. Na atualidade, a coordenadora é Claudia Amorim, professora de literatura especialista nas literaturas do XIX em diante em língua portuguesa, e que no âmbito galego tem pesquisado sobre Otero Pedrayo ou Eduardo Blanco Amor.

Além do trabalho do leitor e da coordenadora, colaboram no PROEG diferentes bolsistas e pesquisadores/as, que fazem que o Programa seja conhecido em toda a faculdade e que as atividades possam acontecer com sucesso. Entre os bolsistas podemos destacar nos últimos anos a Gabriel Kaizer, pela sua intensa colaboração, e entre os pesquisadores e pesquisadoras a Thayane Gaspar, que na atualidade faz pesquisa sobre Cabanillas e o celtismo na literatura galega comparativamente com o celtismo em Portugal e na Irlanda; Fernanda Lacombe, no âmbito da literatura galega de mulher e o papel da literatura de transmissão oral; ou Nina Barbieri, que faz o seu doutorado sobre a prosa medieval galego-portuguesa, concretamente sobre a Crónica Troiana, entre muitos outros e outras.

O Leitorado de Galego do PROEG vem promovendo também a difusão da língua, literatura e cultura galegas mediante a realização de diversas atividades dentro e fora da UERJ. Todos os anos se realizam atividades comemorativas do Dia das Letras Galegas, 17 de maio (palestras, recitais poéticos, exibição de filmes, exposições de imagens e textos, mostras de musica galega, etc.) e também se vêm participando, com caráter anual, no Programa UERJ Sem Muros, com o objetivo de dar a conhecer o Programa na UERJ e na comunidade carioca.

Aliás, nos últimos dois anos a atividade foi constante, como se pode comprovar nas publicações deste mesmo blogue, que serviu para a divulgação das atividades do programa e para a postagem de artigos de interesse inicialmente de alunado das matérias oferecidas na faculdade. Assim, tiveram lugar palestras de professores e pesquisadores galegos como Isabel Cabanas (USC) sobre o caminho de Santiago; Rosario Álvarez (USC), Elisa Fernández Rei (USC) ou Francisco Dubert (USC) sobre questões linguísticas; Malores Villanueva, Afonso Monxardín ou Gonzalo Vázquez sobre literatura e cultura galega contemporânea; Adrian Dios (USC) sobre o aspeto mais político da Galiza atual; ou Mateo Verdeal e Maite Insua sobre o uso do galego na juventude. Aliás, nas jornadas das Letras Galegas, participaram inúmeros professores e professoras, entre os que podemos destacar os sociolinguísticas Xoán Lagares (UFF) e Dante Luchessi (UFBA); a historiadora Erica Sarmiento (UERJ) ou a prática totalidade do professorado de Letras da UERJ, UFRJ e UFF com pesquisa galega. Aliás, nos últimos dois anos teve lugar a Semana Audiovisual Galega, com projeção de filmes como Doentes, Trece badaladas ou Vilamor, documentários e música ao vivo.

Além das aulas e das atividades culturais, o PROEG conta com uma série de publicações relacionadas, na sua imensa maioria, com temas galegos: Raízes; Estudos Galego-Brasileiros em colaboração com a Universidade da Corunha, ou Estudos Galegos, entre outros.

O PROEG conta, aliás, com uma biblioteca dotada de aproximadamente mil volumes, entre os existentes na Sala do Programa e os já colocados na Biblioteca de Letras, tanto publicados na Galiza ou a ela referentes.

Finalmente, o PROEG tem proporcionado a ida de alunos e professores anualmente à Galiza para cursos de verão de Língua Galega, como bolsistas.

Pelo anteriormente referido, o Programa de Estudos Galegos da UERJ é hoje uma referência nos estudos galegos no Brasil e em toda a comunidade internacional da nossa língua.

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