O reintegracionismo galego : Reflexões acerca das políticas linguísticas da Galiza e sua relação com o Brasil

Nívea Guimarães Doria

Mestra em Letras e estudante de Língua Galega na UERJ 

1 INTRODUÇÃO

O presente trabalho não objetiva esgotar academicamente a questão do reintegracionismo galego à cultura lusófona, tampouco a posicionar-se a favor ou contra tal política linguística. Objetiva, sim, refletir sobre essa questão sob um ponto de vista brasileiro, tanto contemplando argumentos a favor quanto contra, entendendo que o Brasil faz parte dessa comunidade linguística, à qual vários setores da sociedade galega pretende reintegrar-se, sendo o representante dentre os países lusófonos com o maior número de falantes nativos e tendo em consideração que é um fato desconhecido do falante médio do português a existência (ou sobrevivência) de um idioma quem muitas vezes é ensinado nas escolas como uma forma arcaica de sua língua de uso cotidiano.

Com uma metodologia de pesquisa documental via internet, na qual foi pesquisado o termo “língua galega”, ao encontrar vários textos de teor reintegracionista, assim foi determinada a temática. A escolha de uma reflexão sobre as políticas linguísticas galegas, em especial o reintegracionismo, justifica-se tanto pelo contato com a língua e cultura da Galiza há mais de dez anos, como também, uma vez já sendo profissional de Letras, a percepção da relevância da discussão acerca da introdução de mais um membro dentro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e suas possíveis conseqüências sociopolíticas, culturais e lingüísticas, inclusive para a realidade brasileira.

2 BREVE PANORAMA HISTÓRICO

A Galiza é uma parte da Espanha que, cerca de 6 séculos atrás, constituía um reino independente e cuja língua gozava do prestígio de ser uma língua de cultura e literatura. A poesia lírica medieval ibérica (e europeia de maneira geral) têm seus principais representantes nas cantigas galego-portuguesas. Porém, após a independência do Condado Portucalense, resultando no Reino de Portugal, e uma seqüência de malfadadas alianças políticas dentre reinos da Península Ibérica, com a ascensão dos chamados Reis Católicos (Isabel de Castela e Fernando de Aragão), a Galiza viu-se solapada pelo poderio político e econômico de Castela. Outrora um reino independente agora se via como uma região subordinada ao novo Reino da Espanha. No século XIX, após séculos de domínio político e cultural castelhano, era vista como uma região de um povo pobre e ignorante, cuja língua própria não possuía gramática nem literatura própria, restringindo-se à tradição oral.

O movimento conhecido como Rexurdimento Galego nos fins do século XIX foi responsável por um renascimento tanto da literatura galega quanto pelo surgimento de diferentes correntes ideológicas objetivando a retomada do prestígio cultural galego. Ora, não é de se espantar que, após tantos séculos de opressão e desprestígio, o povo e sua intelectualidade reagissem com um sentimento nacionalista, ainda mais se lembrarmos que o mesmo “fenômeno” vinha ocorrendo por toda a Europa – e até mesmo nas colônias europeias ultramarinas – desde a Revolução Francesa e seus ideais de liberdade, fraternidade e igualdade. Dentre esses movimentos está o celtismo, que busca um passado mitológico para o povo galego vinculado à cultura celta pré-romana. O primeiro livro em galego em muitos séculos, Cantares Gallegos de Rosalía de Castro, é um representante de uma retomada da cultura galega, tendo como modelo os cantares populares e orais ainda ouvidos nos campos.

Contudo, na década de 1930, após a guerra civil espanhola, ascendeu ao poder o General Francisco Franco, que governou ditatorialmente a Espanha nas quatro décadas seguintes. Durante a ditadura franquista, o galego (assim como o catalão e o euskera, idiomas da Catalónia e do Pais Basco) foi proibido de ser ensinado nas escolas e utilizado em repartições públicas, sendo relegado apenas ao uso familiar. A ditadura franquista encontrou seu fim com a morte do general em 1975 e a Espanha passou a ser uma democracia parlamentar, ainda que sua família real ainda seja conhecida e figure em revistas de celebridades. Com o fim da ditadura, Catalúnia, o País Basco e a Galiza retomaram o direito de ter suas línguas reconhecidas como línguas co-oficiais, circunscritas a seus territórios históricos. Com a autonomia reconquistada, tornou-se mister desenvolver as políticas linguísticas necessárias para que o galego reassumisse sua posição de prestígio.

Contudo, ainda hoje, há muita polêmica entre diferentes correntes sobre essa política linguística. O presente trabalho, como dito anteriormente, discute-as, sem a preocupação de posicionar-se a favor ou contra uma ou outra, porém com intuito de refletir sobre elas.

3 AUTONOMISMO/ISOLACIONISMO X REINTEGRACIONISMO/LUSISMO

O que acabou por ser conhecido como língua portuguesa, em sua origem, era apenas uma língua falada desde o norte da Galiza até o Douro. Com a independência de Portugal do Reino da Galiza, devido a motivos políticos, o galaico-português dividiu-se e a língua falada no novo Estado passou a ser chamada de língua portuguesa, enquanto que a falada ao Norte continuou com o nome de língua galega.

Ao retomar o direito de falar sua própria língua, garantido pela Constituição Espanhola, foi dado ao governo autônomo da Galiza – conhecido por Xunta de Galicia– a responsabilidade de fazer com que a língua local passasse de seu até então estado de dialeto ao estado de co-oficialidade. Duas grandes correntes se destacam: a autonomista, que tem respaldo no governo, e a reintegracionista. A autonomista, defendida pela Real Academia Galega (RAG) e pelo Instituto da Língua Galega (ILG), prega o galego como uma língua própria, que possui raízes comuns tanto com o português quanto com o espanhol, ao passo que a reintegracionista postula que galego e português seriam variantes de uma mesma língua.

3.1 Autonomismo

Tem como principais representantes a Real Academia Galega e o Instituto da Língua Galega, responsáveis pela normatização da língua galega padrão nos anos 80. Ambas as instituições estão ligadas ao governo pelas ajudas institucionais e até por algum dos membros da RAG ser membro do governo galego daqueles anos, como Xosé Filgueira Valverde.

A grafia adotada para o galego oficial é notoriamente influenciada pela grafia do castelhano, não se relacionando diretamente com a grafia histórica documentada desde a Era Medieval. Assim sendo, letras tipicamente espanholas como o ñ e o ll são usadas em detrimento dos dígrafos portugueses nh e lh. O próprio léxico aceitou fortes influências castelhanas e passou por neologismos que não tinham em conta formas mais antigas da própria língua, e ainda vivas no português de Portugal e do português do Brasil.

Essa política linguística também é conhecida, em um tom pejorativo dado por seus oposicionistas, como “isolacionismo”. Ao destacar o galego como uma língua circunscrita em seu próprio território, não admite o caráter internacional que ela teria se fosse reconhecida não apenas como tendo origem comum com o português, mas como as duas ainda sendo variantes da mesma língua.

3.2 Reintegracionismo

Defendendo que as línguas galega e portuguesa são uma, essa corrente defende o emprego da ortografia do português padrão, vigente em todos os territórios lusófonos (Portugal, Brasil, países africanos lusofalantes) desde o ano de 2008, através de acordo ortográfico assinado por representantes desses países e do qual a Galiza foi um membro consultivo. Dessa forma, características típicas da língua galega como o emprego de x no lugar de g e j ou a diferenciação entre s e “c/z” seriam consideradas apenas formas particulares de emissão de arquifonemas da língua.

Também reivindica que a Galiza integre a Comunidade de Países de Língua Portuguesa, sendo, dessa forma, parte de uma comunidade linguística de alcance internacional e compartilhando o idioma com uma das potências econômicas emergentes do século XXI, o Brasil. Essa intenção causa reação por parte de seus opositores, por enxergarem nessa aproximação com outros países, de prestígio na política econômica mundial, um ensaio de um movimento separatista galego. Com essa visão, chamam pejorativamente os reintegracionistas de “lusistas”. Vê-se refletido isso nas tentativas de veicular via TV o acesso a canais de origem lusitana, assim como outros meios de comunicação de massa que abririam portas para que mais falantes de galego pudessem perceber sua língua como a mesma do país vizinho.

4 REFLEXÕES ACERCA DE AMBAS AS VERTENTES

Não há dúvida de que a corrente autonomista, ao isolar o galego de uma língua que lhe é praticamente transparente como o português, acaba por relegá-la a mero dialeto dentro de território espanhol, de maneira a legitimar o sentimento de inferioridade que muitos de seus falantes podem trazer. Por esse motivo, é chamada de “isolacionismo” por seus opositores reintegracionistas. O galego seria uma língua falada por um povo ruralista, ignorante e de um idioma hermético, que pode até ter sua semelhança com outras línguas dos arredores, porém algo que não apenas identifica, como alija seus falantes de um contexto mais internacional.

De tal maneira que o espanhol, uma das línguas de origem europeia com maior número de falantes nativos no mundo e oficial do Estado Espanhol, acabe por se tornar uma melhor opção para que essas pessoas se relacionem pelo mundo. Os Estados Nacionais têm como uma de suas características principais a centralização, a unificação de seu poder e uma maneira de fazê-lo é através de uma língua comum a todos os seus habitantes, muitas vezes havendo apagamento de outras línguas concomitantes e, por isso, por tantos anos o galego foi relegado a um papel secundário dentro de seu próprio território.

A língua portuguesa/galega é intercontinental e de prestígio internacional. Como apontado anteriormente, além de ser uma língua com mais de 240 milhões de falantes nativos por todo mundo, tem a mesma origem e ainda guarda transparência com a língua da Galiza. Aproveitando esta intercomprensão, ao tratar com Portugal, Brasil e países africanos lusófonos, os setores econômicos e políticos galegos não precisariam utilizar-se de intérpretes e tradutores, tendo como código comunicativo escolhido para as transações o idioma galego/português.

Um dos argumentos mais persuasivos da vertente reintegracionista é que, ao assumir o galego como a mesma língua conhecida por portuguesa, o idioma falado em seu território assume um caráter de internacionalidade e prestígio, uma vez que o português é falado pela quinta economia mundial e uma das maiores potências políticas e econômicas emergentes do mundo, no caso, o Brasil. Sendo o português a oitava língua mais falada pela rede mundial de computadores e a terceira em termos de língua europeia em número de falantes. Sob essa perspectiva, empoderar-se-ia e prestigiaria um povo que, por séculos, foi visto e muitas vezes sentiu-se como inferiorizado e falante de uma língua de pouco alcance.

Sob essa perspectiva, empoderar-se-ia e prestigiaria um povo que, por séculos, foi visto e muitas vezes sentiu-se como inferiorizado e falante de uma língua de pouco alcance.

Ao poder tratar diretamente com nações com grande prestígio político e econômico através de uma língua comum, esse território veria sua autonomia controlada expandir-se. O governo espanhol, partidário da vertente autonomista, não vê isso com bons olhos, temendo um movimento separatista, que teria respaldo em uma possível aliança com outros países. Atualmente, o reintegracionismo parece se fazer mais forte, pois uma lei que garante o ensino da língua portuguesa em escolas galegas foi recentemente aprovada (A Lei Paz Andrade), ainda que a maior parte dos políticos com poder de decisão seja do Partido Popular, que tradicionalmente se mantém alinhado ao Estado Espanhol.

Contudo, não se pode deixar de pensar em outra questão: e dentro dessa comunidade linguística de 240 milhões (frente aos 3 milhões residentes na Galiza), a variante galega como seria vista? A maior parte desses milhões de pessoas são brasileiras, cuja taxa de escolaridade média não é tão alta.

Tendo em vista que o povo brasileiro, o maior contingente de falantes da língua galega/portuguesa em todo mundo, pouco conhece os outros países que já são considerados lusófonos além de Portugal e não sente sua língua como prestigiada em todo mundo –ainda que a variante brasileira seja uma das línguas mais procuradas no mundo atualmente a fins de estudo– como receberia os galegos? Se na fala a fonética são o cartão de visita da língua e na escrita sua ortografia, o galego parecer ter sons tão diferentes e uma ortografia oficial também tão distinta, o brasileiro enxergaria o galego como um povo que divide consigo a mesma língua? Mesmo em uma transação oficial, órgãos brasileiros não lançariam mão de um intérprete –não mais de espanhol, mas de galego– durante as negociações, por mais que a Galiza venha a se integrar de fato à Comunidade de Países de Língua Portuguesa?

Estando em contato com a língua e a cultura galega há mais de dez anos e tendo presenciado vários “primeiros encontros” entre brasileiros e essa língua, pude observar que dificilmente um brasileiro que nunca tenha tido contato prévio com o galego –seja escrito, seja oral– consegue identificar essa língua como igual. Apesar de a variante portuguesa da língua diferir foneticamente muito mais da nossa, desde crianças temos algum tipo de contato com comerciantes, atores em novelas ou mesmo imitações em piadas do falar de origem lusitana. Por identificarmos elementos fonéticos parecidos entre o falar da antiga metrópole e aquele dos países africanos, suas também antigas colônias, conseguimos por analogia identificar o português africano como mesma língua.

No entanto, o galego soa aos ouvidos brasileiros leigos em matéria linguística, muitas vezes, como um espanhol (ou até mesmo um portunhol para ouvidos um pouco mais atentos) falado de maneira estranha. Fora de um contexto acadêmico, dificilmente um falante médio do português brasileiro identificaria a fala de um galego como sendo feita na sua língua materna. Um carioca entende um paulista, um pernambucano, um gaúcho, ainda que não identifique umas palavras. Contudo, assim como os lusitanos, temos contatos com esses falares diversos, nem que seja pela TV. O que não ocorre com a variante galega.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Como dito de início, este trabalho não se pretendeu fazer uma discussão ou apresentação de dados exaustiva sobre as políticas linguísticas vigentes e antagônicas na Galiza sobre o próprio idioma: o autonomismo e o reintegracionismo. Nosso objetivo era o de apresentá-las e procurar refletir sobre elas.

Ao passo que o autonomismo mostra-se como uma política conservadora, e que quiçá, a médio ou longo prazo poida levar ao apagamento a língua galega– o reintegracionismo prega que galego e português, uma vez mais, sejam vistos como duas variantes de uma mesma língua, essa agora com outras variantes espalhadas por todo o mundo. Essa proposta, embora bastante difundida e coerente, suscita também questionamentos.

Se, por um lado, isso traria uma maior autonomia e independência para a Galiza e prestígio e internacionalidade para a língua falada em seu território, seriam os galego falantes aceitos com facilidade por essa comunidade linguística à qual procuram se reintegrar? Apesar da fama de hospitaleiros, em relação ao próprio idioma, os brasileiros têm uma postura de menosprezá-lo e um tanto preconceituosa acerca de falares diferentes do seu. Como detentor do maior número de pessoas lusófonas, isso não poderia acarretar numa visão inferiorizada dos galegos dentro da CPLP? Do ponto de vista da Galiza, embora vários setores da sociedade já procurem se integrar à ortografia oficial do português, não seria uma política de médio a longo prazo mudar a maneira como as pessoas escrevem seu idioma pátrio ou mesmo realfabetizar aqueles que não tiveram acesso ao processo de ensino-aprendizagem da língua portuguesa?

São várias as questões possíveis, como as apresentadas e outras que já são e estão a serem feitas, mas que apenas poderão ser respondidas com a tentativa de levar adiante o proposto pelos reintegracionistas e com planos de ação para que isso seja feito. Deve-se pensar, também, se é tão necessário que a ortografia mude muito para o padrão português ou se não seria melhor a incorporação das idiossincrasias galegas à grafia da língua padrão da Galiza. Particularmente, posiciono-me contra o Acordo Ortográfico da CPLP, pois mesmo com as ortografias de outrora, os países lusófonos ainda se reconheciam como compartilhadores da mesma língua, apesar das especificidades de cada região. Tal acordo apenas mascara as diferenças e não reflete a realidade linguística de cada comunidade de fala da língua galega/portuguesa.

REFERÊNCIAS

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SANTANA, C de M. A dicotomia das perspectivas autonomistas e reintegracionistas do galego e suas projeções internacionais. 2014. 54f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Relações Internacionais)- Universidade Estadual da Paraíba, João Pessoa, 2014. Disponível em: http://dspace.bc.uepb.edu.br:8080/jspui/bitstream/123456789/4449/1/PDF_-_Clayton_de_Medeiros_Santana.pdf . Acesso em 22 jun 2015.

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