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Curso na UFF: Do galego ao português (e vice-versa)

Curso lecionado pelo professor da UFF Xoán Lagares. Terá lugar todas as QUINTAS FEIRAS (dias 1, 8, 22 e 29 de junho, e 6 de julho) das 14h ÀS 16h na SALA 214, BLOCO C, DO INSTITUTO DE LETRAS (UFF)

Objetivos

Oferecer alguns elementos para tentar compreender a situação sociolinguística da língua galega hoje.

Mostrar as principais diferenças entre as falas galegas e o português brasileiro, de modo a possibilitar o diálogo de alunos brasileiros com enunciados escritos e orais em língua galega.

Programa

1.- A formação histórica do sistema galego-português e a construção das línguas nacionais.

2.- O conflito linguístico na Galiza: as esferas do conflito.

3.- As variedades dialetais do galego e o problema normativo.

4.- Noções de fonética e fonologia: sistema vocálico e sistema consonântico.

5.- Noções de morfossintaxe e de léxico.

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A construção do galego legítimo. Identidades e ideologias.

Denis Vicente

Professor-leitor de galego na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2014-2015)

*Este artigo foi publicado no livro das Anais do XII Fórum de Estudos Linguísticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2015).

RESUMO

Em abril de 1983 a Xunta de Galicia oficializa por Decreto as normas modelo para o uso do galego. Até esse momento, por causa da perda de soberania da Galícia ao longo da sua história e a impossibilidade de criar instituições próprias em que o galego fosse língua oficial das administrações e da escola, a língua utilizada foi o castelhano. A criação da norma de uso público da língua teve lugar em meio de muitas polêmicas, que atendem fundamentalmente a critérios ideológicos e identitários, a que papel deve ter o galego na sociedade e no marco internacional, e como deve ser a focagem da proposta glotopolítica de ‘normalização linguística’, de recuperação de espaços e usos para a língua na sociedade, após séculos de marginalização. Procuramos, assim, analisar este processo no seu marco histórico, e também as repercussões que teve para o galego no espaço do português, e nas políticas linguísticas aplicadas na Galícia. 

Introdução histórica

A primeira revolução linguística na Europa teve lugar entre os séculos XV e XVI. Neste contexto nasce uma nova burguesia com necessidades de comunicação através do comércio, o início da imprensa precisará da simplificação tipográfica e uniformização ortográfica e o começo da colonização dos territórios além da Europa requer também da modelos de língua escritos para a ‘alfabetização’ dos novos membros do império. É neste momento quando se elaboram, pois, as línguas padrão a partir da gramaticalização dos vernáculos europeus. Já entre os séculos XVI e XVIII a maior parte das línguas europeias têm um equipamento metalinguístico (ortografia, gramática, dicionários), textos de referência, corpus, instituições que as usem e também instrumentos de difusão e controle linguístico como a escola ou as academias da língua (Baggioni 2004).

A língua da Galícia, o galego, continuou o seu desenvolvimento normal em Portugal, adquirindo o nome de português com a construção do estado nacional, e tornando-se língua de Estado e de império. No entanto, na Galícia ficará relegada ao uso oral entre a população, mas completamente marginalizada do poder institucional e dos usos formais na igreja, administração ou na corte do Rei. No imaginário comum dos galegos e galegas, a sua língua não era mais que um dialeto ruim do espanhol, a verdadeira língua do poder, da escrita, da poesia, dos reis e da nobreça. Aqui começa o processo de diglossia na sociedade galega que chega, em forma de conflito linguístico, até hoje: o reparto de funções para cada uma das duas línguas, o galego como língua B para os usos familiares e informais; e o castelhano para os usos formais, escritos, e para a comunicação com os estamentos privilegiados da sociedade.

A partir do século XVIII começa numa parte da elite intelectual galega a reflexão e a preocupação pela situação da língua. Alguma das luzes da Europa da ilustração chega também à Galícia, e figuras como Frei Martín Sarmiento ou o Padre Feijóo reclamam o seu uso na escola ou na igreja. Interessante para o tema que nos ocupa é a reflexão que eles têm sobre a identidade galego-portuguesa. Para Feijóo, no seu Teatro Crítico Universal, ambas continuam sendo a mesma língua:

Disse por compreender todos os dialetos da Latina, porque ainda que estes vulgarmente se reputam ser não mais que três, o Espanhol, o Italiano e o Francês, o P. Kircher, autor desapaixonado, suma o Lusitano: em que, advirto, se deve incluir a Língua Galega, como em realidade indistinta da Portuguesa, por ser pouquíssimas as vozes em que discrepam, e a pronúncia das letras em tudo semelhante: e assim se entendem perfeitamente os indivíduos de ambas as Nações, sem nenhuma instrução precedente[1]. (FEIJÓO, 1726-1739)

Para Martín Sarmiento, a questão suscitará mais dúvidas, embora chegue a afirmar que “a língua portuguesa pura não é outra que a extensão da galega” ou compare a evolução para o sul do galego com o acontecido com o catalão em Valência.

Ao longo dos séculos XIX e XX a norma empregada maioritariamente no âmbito literário galego teve como base a ortografia do espanhol, que será a que, com a construção do galego legítimo a finais dos anos 70 e começos dos 80, se torne a norma ortográfica oficial da língua. Porém, a construção discursiva do galeguismo histórico, ainda empregando uma normativa diferente à do português (embora intelectuais como Eduardo Pondal, Johán Vicente Viqueira ou posteriormente Ernesto Guerra da Cal e Ricardo Carvalho Calero fizessem uma escolha de base etimologista ou reintegracionista), continuou sendo de aposta pelo valor internacional da língua, pelo aproveitamento de elementos do padrão do português na construção da norma culta e pelo intercâmbio cultural com o resto de países de fala portugalega. Não é este o espaço para analisarmos todas as mostras deste discurso, mas podemos destacar afirmações de pessoas célebres da cultura galega como Vicente Risco, “Agora, o galego e o português são duas formas dialetais do mesmo idioma” ou Antón Villar Ponte, “A nossa língua, que tem em todas as partes núcleos vivos, é uma espécie de soberba ponte com um pilar na América e outro na Europa” (Peres 2014). A ruptura com este discurso que apelava à unidade linguística galego-portuguesa e, pois, à função internacional do galego, só acontece com a construção do galego legítimo na democracia, que passamos a ver a continuação.

A construção discursiva do galeguismo histórico, ainda empregando uma normativa diferente à do português, continuou sendo de aposta pelo valor internacional da língua, pelo aproveitamento de elementos do padrão do português na construção da norma culta e pelo intercâmbio cultural com o resto de países de fala portugalega.

O galego legítimo

Para Bourdieu (1996) toda situação linguística se pode analisar em termos de mercado, em que o produtor (falante) coloca os seus produtos no mercado para obter um benefício determinado, simbólico (reconhecimento, prestígio) ou material (acesso a um emprego, publicações…). A escolha do falante é condicionada pelo seu habitus, pela sua formação social, pela sua disposição com determinados tipos de uso linguístico em função dos valores que essa pessoa tem internalizados socialmente. O habitus está condicionado pelas ideologias linguísticas, entendidas como o conjunto de crenças sobre as línguas compartilhadas socialmente. As ideologias que têm mais sucesso apresentam de jeito mais simples a sua visão do mundo como “natural”, “essencial”, “universal”, “ahistórica”, “de sentido comum”. Para que aconteçam estes processos de naturalização ou essencialização as ideologias precisam do filtro da linguagem, devem significar-se, transforma-se num discurso culturalmente aceitado na vida social (Thompson 1993).

Numa sociedade monolíngue o valor de mercado tem a ver com o conhecimento e uso da norma culta, quem não tem acesso a esse conhecimento pode ficar fora do mercado, funcionando, assim, como um elemento de exclusão de classe (habitualmente quem não consegue aceder ao conhecimento da norma culta é porque não tem recursos). Numa sociedade em que há duas línguas como a galega, historicamente a exclusão dava-se pelo não conhecimento do espanhol, língua legítima com um elevado valor no mercado. Na atualidade, com a oficialização do galego, os valores atribuídos no mercado linguístico são mais complexos e temos uma dupla possibilidade de exclusão: o espanhol legítimo frente ao galego legítimo, e o galego legítimo frente ao galego não legitimado. Assim, seguindo a Bourdieu, entendemos por língua legítima a língua que se torna oficial, padronizada na ortografia, normatizada nas gramáticas, ou dicionários, que são incorporados à competência legítima por meio da inculcação escolar.

O processo de elaboração do galego legítimo está estreitamente vinculado ao contexto histórico. No ano 1978 aprova-se a Constituição espanhola e, com ela, a criação da monarquia parlamentaria e o estado das autonomias após quarenta anos de ditadura franquista. A Galícia aprova seu Estatuto no ano 1981 que, nas suas páginas, estabelece, por primeira vez, após a tentativa do Estatuto de Autonomia galego da II República (1936), a oficialidade da língua galega. A transição política da ditadura à democracia, ao revés do que aconteceu em Portugal com a Revolução dos Cravos, partiu de um acordo político entre o franquismo e as forças da clandestinidade, denominado de ‘pacto da transição’, que possibilitou a aprovação a Lei de Amnistia (1977) e, assim, a não possibilidade de julgamento por crimes contra a humanidade dos dirigentes franquistas e, mesmo, a sua incorporação à vida política da democracia como se a sua participação ativa num regime ditatorial não tivesse acontecido.

Em qualquer caso, o galego incorpora-se nestes anos à vida pública, faz parte da administração, da justiça ou da escola. Para estes novos espaços, em que o galego não estava presente há séculos, se precisa de uma norma padrão, um registro escrito unificado para a língua ser ensinada nas escolas e usada pelo governo. Assim, duas vão ser as propostas para a construção do galego legítimo: as conhecidas como autonomista ou isolacionista e a reintegracionista ou lusista.

O problema da padronização mostra-se como um debate de identidades e de oportunidades em que cabem duas perguntas: é melhor para a sociedade da Galícia conformar uma língua legítima autônoma, independente, ou é melhor um galego como variedade linguística do grupo portugalego, fazendo parte de um espaço internacional de mais de 250 milhões de falantes?

A norma ortográfica de uma língua não responde simplesmente à escolha de qual grafema se deve usar para representar determinado fonema. Neste processo entram em jogo outros elementos como a indexicalidade ideológica da própria ortografia (Herrero 2013) como marca de identidade coletiva, assim o debate ortográfico mostra-se como um debate de ideologias e identidades. No caso da Galícia este debate é especialmente interessante por causa da situação do país como ponte entre dois universos com línguas com um elevado valor no mercado, o da hispanofonia e o da lusofonia. As galegas e galegos graças ao conhecimento do galego e do castelhano podemos comunicar-nos, desde o berço, com mais de 700 milhões de falantes dentro da sua diversidade.

O problema da padronização mostra-se assim como um debate de identidades e de oportunidades em que cabem duas perguntas: é melhor para a sociedade da Galícia conformar uma língua legítima autônoma, independente, ou é melhor um galego como   variedade linguística do grupo portugalego[2] (Bagno 2012), fazendo parte de um espaço internacional de mais de 250 milhões de falantes?

Além da importância que esta eleição tem na construção da identidade galega no contexto de criação do autogoverno galego dentro do novo marco estabelecido, esta escolha tem repercussões no processo glotopolítico de recuperação de espaços sociais e públicos para a língua, na sua adquisição de prestígio após ser língua B na Galícia desde o remate do período medieval.

A naturalização ideológica do galego como língua útil internacionalmente criaria um referente externo para as galegas e galegos fora da Espanha, e este elemento, com a construção do estado das autonomias e a transferência limitada de competências aos diferentes territórios não é uma proposta ideologicamente aceitável para o novo regime.

Nos anos 80 uma parte importante das elites franquistas ainda estavam situadas nas principais esferas do poder da democracia. A ideologia do franquismo, fortemente centralista e contrária à diversidade de línguas na Espanha, também não mudou de um dia para o outro. A legitimação no ano 1982 da proposta autonomista encaixa perfeitamente no novo marco estabelecido para as línguas no contexto espanhol. A naturalização ideológica do galego como língua útil internacionalmente poderia levar também progressivamente à naturalização da Galícia como nação, à valorização das suas potencialidades (Herrero 2013) e, aliás, criaria um referente externo para as galegas e galegos fora da Espanha, e este elemento, com a construção do estado das autonomias e a transferência limitada de competências aos diferentes territórios não é uma proposta ideologicamente aceitável para o novo regime. Tal e como podemos comprovar na política linguística implementada pelo governo espanhol nestes primeiros anos de democracia, o castelhano torna-se a única língua que todos os espanhóis têm o dever de conhecer, estabelecido no artigo 3.1. da Constituição do Estado (para o resto de línguas somente se tem o direito de as conhecer, nunca a obrigação). O espanhol oficializa-se em toda a Espanha, o galego, o catalão ou o euskera, só nos seus respectivos territórios, e o castelhano será também a única língua que todas as pessoas têm a obriga de estudar no sistema escolar em todo o território do Estado. Desta maneira, a opção de que o espanhol continue sendo a única língua internacional, extensa e útil, da Espanha, frente ao resto de línguas limitadas ao âmbito autonômico, encaixa nos interesses da construção do novo modelo de Estado após a ditadura de Franco.

As propostas autonomistas e reintegracionistas

Segundo Lagares (2013), com base em Woolard (2008), podemos identificar dois tipos de ideologias linguísticas presentes nas propostas de padronização para o galego: a ideologia da autenticidade, que estabelece a língua como essência, como memória, como identidade nacional da comunidade; e a ideologia do anonimato, que não relaciona a língua com os falantes concretos, mas com uma abstração, a língua como elemento que não pertence a ninguém, como elemento universal sem raiz territorial. A primeira das ideologias é a empregada habitualmente para a legitimação das línguas minorizadas, e serve, assim, como base das duas propostas.

Para as e os partidários da construção do galego autônomo, o galego, como língua própria da Galícia, deve construir-se baseando-se em dois elementos: em primeiro lugar na fala popular, para isso os novos pesquisadores do Instituto da Lingua Galega (1971), dependente da Universidade de Santiago de Compostela, fizeram uma importante pesquisa dialetológica entre os anos 1974 e 1977; em segundo lugar, considerara-se a tradição literária maioritária entre os séculos XIX e XX, que toma como base a ortografia do castelhano. O galego legítimo recolheria, deste jeito, a essência do povo, e se converteria na língua necessária para a construção nacional da Galícia.

Para as e os partidários da construção do galego reintegracionista ou lusista esta ideologia da autenticidade também está presente. Podemos diferenciar duas propostas neste espaço. A primeira procura reintegrar o galego na sua ortografia histórica e comum com o português, mas mantendo uma solução própria para determinados elementos do galego. Por exemplo, frente ao –ción do autonomismo, proporão a terminação –çom, recuperando o ç e o -m final da grafia etimológica. Nesta proposta a construção normativa do galego também tem um papel central para a identidade nacional do povo galego. No entanto, também se mostra a ideologia do anonimato na segunda das propostas lusistas, consistente na aceitação do padrão internacional do português de Portugal como padrão para a língua falada na Galícia. Neste caso, idealiza-se um modelo de língua padrão universal do espaço portugalego, sem vinculação específica com o território concreto em que esta língua se fale, sem atender, pois, às diferentes variedades da língua. Esta ideologia da língua comum concebe a língua como elemento de união entre povos.

No ano 1983 o governo galego decide aprovar por Decreto uma norma de uso oficial para a língua, decide legitimar uma das propostas ortográficas, que desde esse momento será a norma ensinada nas escolas nas aulas em galego, e única que vai receber ajudas institucionais. Quem não empregar essa língua legítima ficará excluído do sistema de ajudas, empregos públicos e prestígio resultante da recentemente criada Xunta da Galícia.

A proposta de norma escrita será encargada pelo governo da Galícia à Real Academia Galega e ao Instituto da Língua Galega, espaços onde era maioritário o sector autonomista, frente a amplos sectores do nacionalismo galego, onde, em diferentes graus, a proposta reintegracionista tinha mais apoios. A consequência é evidente, a norma do galego isolacionista torna-se língua legítima na Galícia desde o ano 1983.

A politica linguística e a situação atual do galego

Na maioria das vezes em que questões relacionadas à língua portuguesa entram no debate público na Galícia vinculam-se ao debate sobre a norma escrita da língua. Talvez, do nosso ponto de vista, seja mais interessante para a promoção de usos do galego na sociedade aproveitarmos outras oportunidades que o grupo portugalego nos pode oferecer em propostas de carácter glotopolítico.

A política linguística desenvolvida na Galícia nos últimos trinta anos não tem contribuído suficientemente à reversão do processo de substituição linguística, pois esta se caracterizou pela sua verticalidade (Subiela 2002), realizada desde o governo sem ter em conta os sectores mais ativos na sociedade civil na promoção do galego, e de baixa intensidade (Lorenzo 2005), sem uma planificação linguística elaborada e com medidas pouco eficazes para a consecução dos objetivos marcados na Lei de Normalização Linguística.

Este facto não deve chamar a nossa atenção, pois o presidente do governo da Galícia entre o ano 1990 e o ano 2005 foi Manuel Fraga Iribarne, ex ministro da ditadura de Franco desde o ano 1962. No seu cargo no franquismo chegaria a multar com 50.000 pesetas ao subdiretor do jornal La Voz de Galicia, Francisco Pillado Rivadulla, por publicar um artigo de Augusto Assia titulado “Sobre el idioma gallego” (1968) onde se criticava a política repressiva contra o idioma; proibiu a difusão do Sempre en Galiza, obra fundamental do nacionalismo galego, de Castelao; ou mandou preso seis meses e fez pagar uma importante multa a Alberto Míguez, responsável da censura do regime, por permitir a publicação de El pensamiento político de Castelao na editorial Ruedo Ibérico. Conhecendo estes antecedentes é óbvio que o novo presidente da Galícia não vai ter interesse em divulgar o galego ativamente. Claro que o contexto é outro e na democracia já não se pode matar diretamente, somente deixar morrer.

Sem dúvida a falta de iniciativas adequadas na promoção do galego para combater os preconceitos históricos e a repressão acontecida durante o franquismo, é uma das causas que justificam a situação atual do idioma, com o descenso importante no número de falantes. Segundo os dados publicados pelo Instituto Galego de Estatística em dezembro de 2014, correspondentes ao ano 2013, só um 25,1% das pessoas de entre 5 e 14 anos falam galego habitualmente. Se compararmos com os dados das pessoas de mais de 65, com um índice de uso da língua do 73,8%, podemos ver como, em duas gerações, a porcentagem de uso desceu em quase um 50%.

Para aumentar a motivação, na sociedade capitalista atual em que todo é quantificável, é importante o valor que as línguas têm no mercado. Para o galego aumentar o seu prestígio e o seu valor no mercado pode ter no espaço de variedades do portugalego uma oportunidade.

Para os falantes fazerem uma troca de língua na sua vida, devem cumprir-se três condições (Haugen 1966): terem espaço de uso novos para incorporar a língua; terem competência comunicativa para poder falá-la e terem a motivação suficiente para fazer a troca. O terceiro é o motivo fundamental. Para aumentar a motivação, na sociedade capitalista atual em que todo é quantificável, é importante o valor que as línguas têm no mercado. Para o galego aumentar o seu prestígio e o seu valor no mercado pode ter no espaço de variedades do portugalego uma oportunidade.

É importante não abandonar um discurso ecolinguista, que valorize a diversidade de línguas independentemente do seu número de falantes e o seu valor econômico, ou o próprio valor que a língua tem para a coesão social da comunidade. No entanto, a realidade da sociedade ocidental atual é evidente, ninguém estuda inglês por ser uma língua bonita esteticamente, e sim por ser uma língua que abre portas para encontrar um melhor emprego e melhorar as condições de vida.

Nesta perspetiva o espaço diverso do portugalego abre-se como uma oportunidade para criarmos novos referentes, superar a visão do galego como língua unicamente do interior na Galícia, e que a população galega consiga enxergar que, com pequenas variantes, a sua língua é também falada por Cristiano Ronaldo, Caetano Veloso, ou Fernanda Montenegro, conseguindo aumentar assim o seu prestígio. Nos últimos messes, falando com dois galegos emigrantes no Rio de Janeiro, eles afirmavam como conseguiram empregos de importância em duas importantes empresas internacionais no Brasil por causa de saber galego, pois era requerido o conhecimento do português para se candidatar a esse posto laboral. Eles demonstraram esse conhecimento através do galego. Se colocarmos o galego na sua perspectiva internacional, fugindo da associação do português ao debate normativo, talvez consigamos aumentar essa motivação que as pessoas precisam para incorporá-lo na sua vida diária.

O espaço diverso do portugalego abre-se como uma oportunidade para criarmos novos referentes, superar a visão do galego como língua unicamente do interior na Galícia, e que a população galega consiga enxergar que, com pequenas variantes, a sua língua é também falada por Cristiano Ronaldo, Caetano Veloso, ou Fernanda Montenegro.

Considerações finais

Para aproveitar as potencialidades do galego no âmbito internacional é fundamental que o governo da Galícia acredite também nestas possibilidades. No ano 2014 o parlamento galego aprovou, por unanimidade, a Lei Paz Andrade, que procura divulgar a diversidade do portugalego na Galícia. Em primeiro lugar através do ensino (até 2014 apenas 861 estudantes recebiam aulas de português como língua estrangeira), de uma maior presença cultural da literatura, teatro ou cinema (até hoje é quase impossível conseguir uma obra literária feita em português de Portugal, português brasileiro ou em variedades africanas da língua sem ser em tradução ao espanhol; e também não existem cinemas onde se possa assistir filmes nas variedades internacionais da língua) e através da mídia e dos canais de televisão de Portugal que ainda não se podem ver no país. Mesmo a internacionalização afeta ao mercado econômico, pois também se procura com esta lei uma maior facilidade para que empresas galegas exportem noutros países como Portugal, Brasil, Angola ou Moçambique, graças à facilidade na comunicação.

Parece que os primeiros passos já se estão dando, pois no último ano o número de estudantes de português na Galícia aumentou mais de um 50%. Aliás, nas últimas semanas, o atual presidente do governo galego, Núñez Feijóo, declarou que vai encetar o processo para a Galícia fazer parte da Comunidade de Países de Língua Portuguesa. Além do necessário apoio do governo, é também importante a colaboração desde os setores mais ativos da sociedade, independentemente da tendência normativa em que cada pessoa acreditar. Desde as principais instituições culturais deve-se contribuir à superação da identificação entre língua e norma, ou língua e ortografia que deixa fora das ajudas a setores muito ativos na promoção do galego que empregam outra norma diferente da de uso oficial (Lagares 2013). Neste sentido, é interessante uma das conclusões do VI Congresso de Escritoras-es da Asociación de Escritores en Lingua Galega (a maior associação de escritores/as da Galícia), realizado no mês de setembro de 2015, onde se estabelece o seguinte: “Reclamamos a necessária tolerância ortográfica, sem discriminação da lusografia e com maior democracia na convocatória de prémios”.

Deve-se contribuir à superação da identificação entre língua e norma, ou língua e ortografia que deixa fora das ajudas a setores muito ativos na promoção do galego que empregam outra norma diferente da de uso oficial.

O medo à divulgação da diversidade das culturas dos países de fala portugalega deve mudar para um maior aproveitamento do intercâmbio cultural com este espaço do que, por história mas sobretudo pelas oportunidades de futuro, devemos estar presentes. Desde os setores reintegracionistas, como parece que já se tem mostrado nos últimos anos, se está encaminhando o discurso para a proposta do espaço internacional da língua como uma vantagem cultural e econômica, superando o debate estritamente normativo. O nascimento da Editorial Através, que divulga livros nas diferentes normativas internacionais da língua, ou a elaboração de campanhas públicas que visibilizam as possibilidades que nascem da nossa presença neste espaço internacional devem ser muito bem-vindas.

REFERÊNCIAS

BAGGIONI, Daniel. Linguas e nacións na Europa. Santiago de Compostela: Edicións Laiovento, 2004.

BAGNO, Marcos. Gramática pedagógica do português brasileiro. São Paulo: Parábola, 2012

BOURDIEU, Pierre. A economia das trocas linguísticas. São Paulo: EDUSP, 1996.

HAUGEN, Einar. Language Conflict and Language Planning: The case of modern Norwegian. Cambridge: Harvard University Press, 1966.

HERRERO, Mário. Guera de grafias. Conflito de elites. Santiago de Compostela: Através Editora, 2011.

LAGARES, Xoán. “O galego e os limites imprecisos do espaço lusófono”. In: DA MOITA LOPES, Luiz P.. O português no século XXI. São Paulo: Parábola, 2013, p.339-360.

LORENZO, Anxo. “Planificación lingüística de baixa intensidade: o caso galego”. In Cadernos de Lingua. A Coruña: Real Academia Galega, n.27, 2005, p.39-59.

PERES, Tiago. Breve história do reintegracionismo. Santiago de Compostela: Através Editora, 2014.

SUBIELA, Xabier. “Política linguïstica en Galicia”. In VV.AA. A normalización lingüística a debate. Vigo: Xerais, p.83-130.

THOMPSON, John B. Ideología y cultura moderna. México: Universidad Autónoma Metropolitana, 1993.

[1]   Todas as citas serão traduzidas ao português brasileiro.

[2]   Embora Marcos Bagno defina o grupo portugalego como composto por diferentes línguas, por causa do debate sobre a norma culta no Brasil; para o caso galego, devido à situação de desprestígio da língua, talvez seja mais interessante o uso do termo variedade para cada um dos códigos falados dentro do grupo portugalego.

As relações entre o galego e o português do Brasil. Curso de extensão na UERJ!

A partir da próxima semana o professor-leitor galego da Universidade de Viçosa, Diego Bernal, dará o curso de extensão “As relações entre o galego e o português brasileiro” na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

O curso acontecerá nos dias 7, 8 e 9 de dezembro de 14:00 a 16:00 horas no Mini-auditório da Pós-Graduação em Letras.

As inscrições podem se realizar na Sala do Programa de Estudos Galegos ou através do email proeg.rj@gmail.com

Diego Bernal foi entre os anos 2011 e 2013 professor-leitor de língua, literatura e cultura galega na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

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Nascem os estudos galegos na Universidade Federal do Paraná (UFPR)

Francisco Calvo del Olmo

Professor de Letras na Universidade Federal do Paraná (UFPR)

Foime solicitado que redactase unha entrada para o blog onde presentase de forma concisa a traxectoria dos Estudos Galegos na UFPR (Universidade Federal do Paraná). Á cidade de Curitiba, capital do Estado do Paraná, chegaron centenas de emigrantes galegos na segunda metade do século XX e hoxe existen asociacións coma a Casa de Galicia, que reúne a comunidade de emigrantes e os seus descendentes, ou o grupo folclórico de danza Aires Galegos. Malia a presenza desa comunidade no noso entorno social, os Estudos Galegos estiveron practicamente ausentes nos cen anos de historia da UFPR que, de feito, é a universidade máis antiga do Brasil.

Hoxe en día, esta institución pública atende unha comunidade da aproximadamente 50.000 alumnos distribuídos nos cursos de grao e posgrao e conta con máis de 2.400 docentes. Como centro de excelencia, a UFPR aparece habitualmente en diversas clasificacións internacionais das mellores institucións de ensino superior en América Latina. E, nos últimos anos, foron abertos novos campus en cidades do interior do Estado coma Matinhos, Palotina, Pontal e Jandaia do Sul. Amais, a UFPR ten un dos maiores centros de idiomas modernos do Brasil, o Celin (Centro de Línguas e Interculturalidade), órgano vinculado ao departamento de Letras Estranxeiras Modernas (DELEM) e mais ao de Lingüística (DELLIN). Anualmente, o Celin recibe 7.000 estudantes que cursan algunha das máis de vinte linguas ofertadas: dende francés, inglés ou alemán até xaponés, guaraní ou portugués como lingua estranxeira. Igualmente o centro serve como local de formación de profesores e laboratorio para investigacións nos eidos da lingüística e dos estudos da linguaxe.

Certamente, os vínculos lingüísticos, históricos e culturais que aproximan a Galiza ao Brasil son moitos e cumpría sómente atopar as vías polas cales esas relacións latentes puidesen se integrar na vida académica da cidade. Dende 2014, a coincidencia de varios factores permitiron a realización dunha serie de actividades que comezaron a articular os Estudos Galegos dentro da UFPR e da súa área de influencia.

Podemos pór como data de partida recente a celebración do Día das Letras Galegas do ano 2014. Daquela, o Celin e mais o DELEM organizaron varias actividades para conmemorar a data e convidaron o profesor-lector de galego na UERJ, Denis Vicente, para dar dúas conferencias; a primeira, titulada O Galego e a Lusofonía: encrucillada lingüística e cultural e a segunda O Día das Letras Galegas: historia e presente. Cabe resaltar a parcería da universidade co Instituto Cervantes de Curitiba; realizada, en boa medida, grazas ao traballo da ferrolá Ana María Rego Vilar, daquela coordinadora académica do centro. Así, o Instituto Cervantes non só cedeu o espazo físico senón que tamén organizou unha mostra do fondo de obras en galego da súa biblioteca.

No ano seguinte, eu mesmo tiven a oportunidade de participar no I Encontro Brasileiro de Estudos Galegos organizado polo Centro de Estudos da Lingua e Cultura Galegas (CELGA) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), en conmemoración do seu 20º aniversario e en homenaxe á súa fundadora, a profesora Rosário Suárez Albán. O congreso permitiu estreitar os lazos con colegas e investigadores do Brasil e da Galiza xa que nel participaron o Sr. Valentín García, Secretario Xeral de Política Lingüística da Xunta de Galicia, e os profesores Rosario Álvarez, Henrique Monteagudo, Pilar Cagiao, Ana Boullón e Gonzalo Navaza. O congreso serviu de trampolín para organizar a celebración do Día das Letras de 2015, traendo novas actividades que completarían a programación daquel ano. Paralelamente ás conferencias na UFPR, organizáronse dúas exposicións de grande importancia para o noso contexto: a dos carteis dedicados ao autor homenaxeado ese ano, o pontevedrés Xosé Fernando Filgueira Valverde, enviados pola Secretaría Xeral de Política Lingüística da Xunta de Galicia, e a exposición fotográfica Os Adeuses, organizada polo Consello da Cultura Galega coas fotografías de Alberto Martí. Aproveitou-se que a exposición d’Os Adeuses estaba no Instituto Cervantes de Brasilia, e grazas a mediación do Director Pedro Eusebio Cuesta e do equipo do centro, conseguimos traela para para Curitiba no mes de xunho de 2015. Na inauguración tamén participou o grupo Aires Galegos interpretando varias muiñeiras. Aquel foi un momento de celebrar a presenza da cultura galega no Sur do Brasil e de atraer un público de xente que, dende lugares e traxectorias diferentes, se interesaba por Galiza, pola súa cultura, pola súa lingua e pola sua xente. Aínda nese mesmo ano, foi tramitada no DELEM a creación dun bloque de tres materias optativas dedicadas aos Estudos Galegos para os alumnos dos graos en Letras: Introdução à língua e à cultura galegas, Língua galega I e Literatura Galega I.

No primeiro semestre de 2016, organizouse por terceiro ano consecutivo a celebración do Día das Letras ca exposición de carteis dedicados a Manuel María enviados pola Secretaría Xeral de Política Lingüística da Xunta de Galicia, un obradoiro de lingua galega aberto para os alumnos da universidade e unha mostra de obras bibliográficas en galego na biblioteca do Instituto Cervantes. Pouco despois do Día das Letras, puidemos contar coa presenza dos profesores da USC Rosario Álvarez e Henrique Monteagudo que no día 9 de xuño deron a conferencia titulada Galego, Português e Brasileiro: Semelhanças e Contrastes. A conferencia foi un gran éxito co auditorio cheo de profesores e estudantes de grao e posgrao; e os nosos convidados contaron coa presenza amistosa do profesor Carlos Alberto Faraco, antigo reitor da UFPR é unha das principais figuras na lingüística brasileira da actualidade, quen presentou a conferencia e moderou as preguntas ao final da mesma.

Eses encontros – mesmo sendo puntuais – comezaron a tornarse datas fixas no calendario da UFPR, serviron para sensibilizando a comunidade académica e prepararon o terreo para a abertura da materia optativa de Introdução à Língua e à Cutura Galegas no semestre en curso. Hai que dicir que existe no Departamento de Letras Estranxeiras Modernas a materia optativa de Incomprensión en Linguas Románicas, onde a Profesora Karine Marielly presenta a lingua e a cultura galegas para os alumnos dentro do panorama xeral das linguas románicas e discute aqueles aspectos que esta compartilla co portugués. Grazas a todos eses precedentes, a acollida da optativa de Introdução à Língua e à Cutura Galegas foi boa, as vinte prazas ofertadas foron ocupadas por estudantes que viñan non só dos diferentes Graos en Letras (dende o de portugués e español até o de inglés ou de xaponés) senón doutras carreiras coma Dereito. Un alumno da universidade que é galego está colaborando como voluntario académico na optativa axudando a dinamizar o meu traballo como profesor e enriquecendo os contidos presentados nas aulas. Entre os intereses dos estudantes matriculados destacaría todas aquelas situacións políticas e sociais da Galiza que, dalgunha forma, dialogan con situacións análogas do Brasil, como sería o caso do preconceito lingüístico e as relacións entre o galego e o portugués falado no Brasil.

Observando a traxectoria dos últimos anos, avalío positivamente o traballo realizado que comeza poñer a UFPR e a Curitiba no mapa dos Estudos Galegos no Brasil. Hai moito aínda por facer e, nese camiño, haberemos de contar con axudas vindas dende diferentes lugares que poidan cooperar para atinxir un obxectivo común. Esperamos contar coas experiencias doutras universidades, onde esta área está consolidada; coa comprensión dos colegas da UFPR que, mesmo investigando e traballando noutras áreas, perciben a importancia que a Galicia e o galego teñen para a universidade brasileira; co interese e o apoio dos nosos estudantes e tamén coa axuda que veña das institucións da Galicia, do goberno da Xunta e das súas universidades e centros de investigación. Na suma desas vontades atoparemos a materia necesaria para facer florecer a lingua galega e mais a sua cultura no Sur do Brasil.

[Entrevista] Bernardo Portes, galego candidato a vereador em Teresópolis (RJ)

Bernando Portes tem 25 anos. Nasceu em Minho, concelho de Betanzos, e morou vários anos na cidade da Corunha. Com 12 anos foi viver ao Brasil, a Teresópolis, no estado do Rio de Janeiro, onde continua morando na atualidade.

Olá Bernardo. Você chegou ao Brasil muito novinho, com apenas 12 anos. Como foi o processo de adaptação? São as realidades galega e brasileira muito diferentes para um adolescente?

As realidades são muito diferentes, pois aquí você repara a diferença social na hora. Em Galicia não dava muito para reparar.

Teresópolis é uma cidade bastante desconhecida na Galiza. Que poderia destacar da sua cidade para quem não a conhecer?

Teresópolis e uma cidade muito bonita pela natureza ao seu redor. Também se destaca um montanha com um dedo, aqui se chama Dedo de Deus. Muito bonito.

Há muitos galegos emigrados em Teresópolis e no estado do Rio de Janeiro?

Sim existe uma grande colonia , os galegos foram quem fundaram os clubes Casa de España, hoje esta colonia esta bem envelhecida, isso acontece.

Nestes doze anos que leva morando no Brasil tem também viajado à Galiza. Percebeu muitas diferenças da Galiza de há mais de uma década à Galiza atual?

Sim, percebi que o povo galego esta mais sofrido ainda, dói o coração ao vê-los assim. Mas em breve espero retornar e ver um povo mais alegre.

Com respeito à língua. Que vantagens tem um galego na hora de se adaptar à língua falada no Brasil?

Te facilita um pouco, no entendimento e na escrita. Além de que o galego ajudou a criar o idioma (Português). Galicia me ajudou a ver e compreender o mundo de outro jeito, do trabalho com caráter, ser honesto, etc.

Agora você se candidata a vereador da sua cidade, Teresópolis, pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Por que acha necessário que os jovens se envolvam em questões políticas? Que labor pode fazer uma pessoa jovem como você como vereador na sua localidade?

Entendi que lançando minha candidatura iria dar ao povo da cidade mais opções e oxigenar uma política ultrapassada. O jovem tem que tomar as rédeas para que o futuro dele e do país estejam em sintonia e avançar o país com políticas novas.

Para quem não vivemos na atualidade no Brasil é difícil compreender o que está acontecendo em seu país com o impeachment à presidenta Dilma e a chegada ao poder de Temer. Poderia explicar-nos brevemente que é o que está acontecendo?

A Presidenta Dilma foi afastada por não fazer a política antiga do país, que era entrar na roubalheira da maioria como o Eduardo Cunha (PMDB-RJ) que extorquia o governo dela. Ela nunca aceitou que ele fizesse o que queria com isso pediu para o partido votar a favor de remover o mandato dele. Ele por vingança aceitou um pedido sem ter condições de acusar alguém sem ser culpada. Com Isso o GOLPE foi adiante. Temer é a pessoa que vai acabar com leis trabalhistas, que já acabou com os programas sociais, como o estudante ir para o estrangeiro, ou programa de alfabetização etc… Temer representa a burguesia entreguista dos bens naturais e empresas nacionais.

Você acompanha também a realidade política galega. Como bem deve saber, o próximo 25 de setembro vãi ter eleições ao parlamento da Galiza. Como se percebe desde fora a situação política galega? Se atreveria a fazer uma predição do que pode acontecer?

Gostaria que o Leiceaga vencesse a eleição mas sei que difícil, acredito que o PSdeG e Em Marea venham a fazer uma força em conjunto contra o PP, mas este partido é forte na Galiza. Venho pedir ao povo galego que vote na esquerda.

Depois de já tantos anos fora, tem vontade de voltar à Galiza ou já é mais brasileiro do que galego?

A vontade existe, mas agora a vida não me leva para aí. Espero um dia voltar. E ver um jogo do Dépor no Riazor. Poder ver a terra que me formou para minha vida, Galiza fará e faz parte da minha história.

Para os galegos que não conheçam o Brasil, poderia recomendar-nos alguma banda musical, algum livro ou algum filme?

Em vez de um livro recomendo um escritor. Paulo Freire. Dois cantores: Chico Buarque e Gonzaguinha. Dois filmes históricos deste país: Olga e Getúlio.

Palestra na UERJ: Aproximação à antroponímia galega do s. XVIII até hoje

A próxima segunda-feira dia 12 terá lugar na Universidade do Estado do Rio de Janeiro a palestra Breve aproximação à antroponímia galega do século XVIII até hoje ministrada pelo doutorando em linguística da Universidade de Santiago Guillermo Vidal.

A atividade acontecerá no Miniauditório da Pós-graduação do Instituto de Letras às 12:00 horas.

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Guillermo Vidal é graduado em Letras Galego pela Universidade de Santiago de Compostela. Fez  o Mestrado de professorado de ensino de língua e literatura galega pela Universidade da Coruña. Foi professor de práticas no curso Galego sen fronteiras 2015 organizado pela Real Academia Galega e o Instituto da Língua Galega. Atualmente faz o seu doutorado no programa de Linguística da Universidade de Santiago de Compostela, sendo a onomástica a parte central da sua pesquisa.

H. Monteagudo: “A liberdade normativa é factível com algumas condições”

Henrique Monteagudo é profesor de Filoloxía Galega na Universidade de Santiago de Compostela e Secretario da Real Academia Galega. Foi coordinador da Sección de Lingua e secretario do Consello da Cultura Galega. Tamén é codirector de Grial. Revista de Cultura Galega e membro do padroado da Fundación Penzol. As súas principais liñas de investigación son: historia da lingua, sociolingüística e glotopolítica. Estudou e editou textos galegos de todas as épocas, desde a Idade Media ata a actualidade: Martin Codax, Paio Gomez Chariño, Martín Sarmiento, Rosalía de Castro, Otero Pedrayo, Castelao e Ramón Piñeiro. Coordinador da edición das Obras de Castelao e de Martín Sarmiento, estudoso da súa biografía e obra. Foi profesor convidado das universidades de Birmingham (Reino Unido), California (UCSB), Nova York (CUNY), São Paulo (USP), Lisboa (UL) e Buenos Aires (UBA). Autor de monografías como Historia Social da Lingua Galega (1999), Letras primeiras. A emerxencia do galego escrito e os primordios da lírica trovadoresca(2008), De verbo a verbo. Documentos en galego anteriores a 1260 (2009), “En cadea sen prijon”. Cancioneiro de Afonso Paez (2013). Editor científico de obras colectivas como Sociedades plurilingües: da identidade á diversidade (2009), e Linguas, sociedade e política. Un debate multidisciplinar (2012). (http://ilg.usc.es/gl/persoal/x-henrique-monteagudo-romero)

1. Você participa do Grupo de pesquisa “Galego e português brasileiro”. Há no Brasil interesse pela pesquisa conjunta com as investigadoras e investigadores galegos? Em que âmbitos e projetos se está trabalhando?

Si, os investigadores e investigadoras galegos atopamos unha actitude moi receptiva, colaboradora e proactiva por parte dos nosos e as nosas colegas do Brasil, e un grande interese polo noso traballo, que, por suposto, é mutuo. Por razóns obvias, a lingüística histórica e a historia da lingua constitúen ámbitos de interese común especialmente importantes, pero tamén a dialectoloxía, a gramática ou a sociolingüística.

2. Deu um curso na Universidade Federal Fluminense baixo o título “A língua no tempo, os tempos na língua. O galego, entre o português e o castelhano”. Em que elementos centrou o seu relatório?

Non é doado de resumir en poucas liñas, pero falando en xeral presentei a evolución do galego no marco peninsular, e máis en concreto en relación coa do portugués e o castelán, mostrando en que puntos se pode falar de evolución conxunta do galego e o portugués desde a Idade Media, en que outros de evolución diverxente, e tamén as converxencias, coincidencias e diverxencias do galego con respecto ao castelán e entre este e o portugués. A historia lingüística de todo o conxunto centro-occidental da península resulta bastante máis complexa do que poida parecer a primeira vista. Tamén pretendía chamar a atención sobre o estudo da constitución e evolución das variedades estándar como un necesario interface entre as denominadas historia interna e historia externa da lingua, e pór de vulto que a aplicación mecánica e adoito anacrónica da noción de ‘lingua’ pode resultar máis prexudicial que esclarecedora cando estudamos a evolución dunha serie de variedades veciñas, dispostan en continuum, de entre as que se destacan varias variedades cultivadas. A idea é que o galego experimentou importantes evolucións conxuntas co portugués a finais da Idade media, outras co castelán (pero non necesariamente inducidas por este) e outras autónomas e diverxentes en relación tanto con un coma co outro idioma.

A intercomprensión mutua (galego-brasileira) é moi doada e esixe pouco esforzo. É obvio que o galego nos abre as portas ao ámbito de expresión portuguesa.

3. Você deu a sua palestra em galego no Brasil com normalidade ante um público português-brasileiro parlante. É o galego uma língua internacional?

Des que visitei por primeira vez o Brasil, como antes acontecera en Portugal, expreseime en galego na maior parte das miñas disertacións e clases. A intercomprensión mutua é moi doada e esixe pouco esforzo. É obvio que o galego nos abre as portas ao ámbito de expresión portuguesa. Mesmo así, non acabo de ver a pertinencia de colocalo na categoría das “linguas internacionais”, a menos que se precise o que se quere dicir exactamente con iso. De feito, a comprensión espontánea do discurso en galego tamén me ten acontecido ante públicos hispanófonos.

4. Pensa que se têm aproveitado na política linguística galega as vantagens internacionais da nossa língua?

Na miña opinión, dentro das graves deficiencias da política lingüística do goberno galego, atópase, sen dúbida, a falla dunha liña clara e activa de conexión cos países e culturas de expresión portuguesa, que debe ser unha das prioridades estratéxicas dunha (practicamente inexistente) acción exterior das institucións galegas, non só nos ámbitos lingüístico e cultural.

Polo camiño que imos, o galego corre un serio risco de retroceso catastrófico e irreversible.

5. O galego perde falantes a um ritmo bastante importante desde há décadas. Qual considera que é a causa deste processo e como avaliaria as medidas aplicadas desde o governo e desde as instituições culturais e sociais para reverter a perda da língua?

O galego precisa dunha enérxica recarga do seu estatus e do seu prestixio. Se a sociedade e as elites dirixentes non o contemplan como un activo de futuro e non actúan en consecuencia, toda a lexislación e outras intervencións políticas, en principio ben intencionadas, acaban por convertese en fume retórico, con escasos resultados prácticos (ás veces, mesmo contraproducentes). Nese sentido, é indubitable que os últimos anos non facemos máis que recuar, aínda que parece estar tomando forza unha reacción social que pode levar a que nun futuro próximo as cousas cambien. Polo camiño que imos, o galego corre un serio risco de retroceso catastrófico e irreversible.

6. O professor galego da UFF Xoán Lagares afirmava no seu artigo de 2013 O galego e os límites imprecisos do espaço lusófono o seguinte:

Durante todos os anos da gestão autonómica os grupos dissidentes da norma considerada oficial foram mantidos à margem das políticas de promoção linguística, dos subsídios e das instituições galegas. Essa identificação entre língua e norma, ou mesmo (o que seria ainda mais grave) entre língua e ortografia, tem feito com que as políticas públicas de promoção do galego dispensem a participação de setores extremamente ativos no uso da língua nos mais diversos âmbitos de comunicação […]. Uma política de liberdade normativa, que permitisse o convívio bi ou trinormativo, talvez fosse uma via na superação desse ideal monolíngue que parece acompanhar historicamente todo empreendimento à construção política das línguas.

Que lhe parece a proposta de liberdade normativa para o caso galego que faz o professor Lagares?

Hai cousa de vinte e cinco anos publiquei na revista Grial un artigo “Sobre a polémica normativa do galego” que ía moderadamente nesa liña. Non creo que unha liberdade normativa total fose positiva para o idioma, pero si que é factible con certas condicións. Dito o cal, teño a certeza de que cando o colega Xoán Lagares fala da “identificação entre língua e norma, ou mesmo (o que seria ainda mais grave) entre língua e ortografia” está pensando tamén en sectores do reintegracionismo que cometen ese erro. Si, lamentablemente, esa identificación errónea é moi frecuente en Galicia en amplos sectores, e constitúe un serio malentendido que sería preciso esclarecer.

Non creo que unha liberdade normativa total fose positiva para o idioma, pero si que é factible con certas condicións.

7. Quando na Galiza se tem falado das relações do galego com o português ou o português brasileiro, e do possível aproveitamento sociolinguístico deste facto, se têm provocado reações muito agressivas por parte das duas partes com opiniões encontradas. Por que acha que acontece isto? Há alguma possibilidade de encontro?

Eu veño sostendo que nos debates normativos arredor do galego entrecrúzanse argumentos lóxicos (científicos) e posicionamentos sociolóxicos (intereses e actitudes persoais, de grupo, ideolóxicos…). Isto é o que explica a súa particular virulencia, a parte, claro está, de que no debate sobre a lingua van inextricablemente inseridos factores identitarios, sempre cun alto contido emocional. Con todo, coido que nos últimos tempos as discusións tenden a ser menos frecuentes e menos acedas. Será porque todos vemos que, dada a evolución sociolingüística do idioma e do seu contexto socio-político, non temos moito tempo que perder debatendo sobre o sexo dos anxos.

8. Se tivesse a responsabilidade da Secretaría Xeral de Política Lingüística, que medidas de urgência estabeleceria para reverter o processo de substituição linguística?

Coido que habería que mandar unha mensaxe clara á sociedade de compromiso co futuro do idioma, unha mensaxe que debera involucrar non soamente o goberno senón tamén un amplo elenco de axentes sociais de relevo. En segundo lugar, deberían debuxarse de xeito claro obxectivos a curto, medio e longo prazo, subliñando inequivocamente as prioridades: medios de comunicación, mocidade, novas tecnoloxías, ámbito laboral e profesional. En terceiro lugar, un amplo pacto para un modelo lingüístico para o sistema educativo favorable ao galego. Tamén habería que impulsar as liñas de investigación e formación en sectores clave para a lingua (sociolingüística, planificación lingüística, didáctica da lingua, terminoloxía). Para dar credibilidade a esas políticas, concentrarse en compromisos e avances concretos e significativos e esforzarse en manter unha máxima coherencia entre o que se pensa, o que se di e o que se fai.

O lóxico é que se acabe consolidando unha norma brasileira autónoma (de feito, xa está acontecendo), flexible e dinámica, achegada todo canto for posible á lingua común da maioría dos brasileiros e brasileiras.

9. Como sabe, no Brasil há também um interessante debate sobre a elaboração da norma culta da língua, havendo linguísticas que mesmo defendem a independência do português brasileiro como língua autónoma. Que opinião tem ao respeito?

Sigo con moitísimo interese ese debate, pero, pola mesma razón que sosteño que os problemas do galego debemos resolvelos basicamente os galegos, non quero inmiscuírme nun asunto tan sensible coma este. Dito isto, como sociolingüista entendo que o lóxico é que se acabe consolidando unha norma brasileira autónoma (de feito, xa está acontecendo), flexible e dinámica, achegada todo canto for posible á lingua común da maioría dos brasileiros e brasileiras.

Agora brevemente…

O melhor e o pior do Rio e do Brasil

O mellor a xente, o peor a desiguladade.

Um lugar no Rio de Janeiro

A praia de Ipanema.

Uma palavra do galego e uma do português brasileiro

Agarimo, jeitinho.

Um desejo para o futuro

Longa e próspera vida ao idioma galego, estreitamente abrazado cos seus irmáns de Portugal, o Brasil e África.

Atividade no Paraná. Galego, Português e Brasileiro: semelhanças e contrastes.

A próxima quinta-feira 9 de junho terá lugar na Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, a atividade Galego, Português e Brasileiro: semelhanças e contrastes, organizada pelo Grupo de Pesquisa em Intercompreensão em Línguas Românicas FLORES-UFPR.  Participarão como palestrantes os professores da Universidade de Santiago Henrique Monteagudo e Rosario Álvarez, e o ato será apresentado pelo professor e linguista Carlos Alberto Faraco.

A atividade começará às 16:30 horas no Anfiteatro 1100 do edificio Dom Pedro I.

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Debate: “A língua galega: atualidade e futuro” na fronteira galego-portuguesa

O próximo sábado 7 de maio às 20:00h. terá lugar no Centro Cultural do Concelho da Guarda, na Galiza, o debate “A língua galega: atualidade e futuro”. Embora publiquemos sempre atividades e artigos sobre a língua, literatura e cultura da Galiza vindos do Brasil e Portugal, consideramos interessante a divulgação desta atividade pelo lugar em que se vai desenvolver: um concelho da fronteira galego-portuguesa.

A localidade da Guarda teve e tem contato permanente com a sua vizinha Caminha, localidade do norte de Portugal, e também com outras localidades próximas do Baixo Minho galego e do Alto Minho português como Tominho ou Vilanova de Cerveira.

Nesta atividade, organizada pela própria câmara municipal da Guarda, participarão Marisa Guerra, professora de galego no IES A Sangriña, Denis Vicente, doutorando em Linguística pela Universidade de Vigo; e Xermán Montes, neo-falante de galego da localidade. O objetivo do ato é refletir sobre os usos atuais do galego, as causas da perda na transmissão da língua, as atitudes dos diferentes setores da população sobre as línguas na Galiza e debater sobre as inúmeras possibilidades que oferece o galego como língua internacional para o progresso social, econômico ou acadêmico e para o enriquecimento cultural.

Além do debate, apresentara-se o documentário “Memória da língua” elaborado pela associação As Candongas do Quirombo.

Convidamos a todas as pessoas do sul da Galiza e do norte de Portugal a participarem na atividade!

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