Geografia linguística e diacronia: evolução de alguns fenômenos dialetais da língua galega

David Rodríguez

Professor-leitor  de Galego (2013-2014) na Universidade Federal da Bahia

Resumo: O grande projeto de Geografia Linguística na Galiza é o Atlas Lingüístico Galego (ALGa). Os trabalhos de campo para o levantamento de dados foram realizados entre 1974 e 1977. Existe um projeto anterior: o Altas Lingüístico de la Península Ibérica (ALPI), cujos inquéritos em território galego foram realizados entre 1934 e 1935. Em 2006 o Instituto da Língua Galega (ILG) começou os trabalhos para o aproveitamento dos dados do ALPI referentes à Galiza. Detectaram-se imediatamente algumas divergências entre as formas encontradas no ALPI e no ALGa para os mesmos pontos. Estas primeiras observações conduziram a um estudo mais sistemático que constatou o fato de alguns fenômenos mostrarem mudança enquanto outros permaneceram com a mesma distribuição. Resolveu-se fazer um novo levantamento de dados. O questionário para a Nova Enquisa (NEnq) foi desenhado com base nas coincidências entre os questionários anteriores e foi aplicado em 2008 nos 53 pontos que as redes de ALPI e ALGa compartem. Hoje temos uma base com dados comparáveis (pela homogeneidade na metodologia) obtidos em três momentos históricos diferentes e nos mesmos lugares. A análise contrastiva destes dados oferece a oportunidade de avaliar a mudança de alguns fenômenos linguísticos em tempo real.

Introdução

Consuetudo loquendi est in motu, escreveu Marcvs Terentivs Varro no seu De lingua latina. Com estas palavras estava fazendo referência ao fato de a norma linguística (COSERIU, 1982) mudar no tempo. Uma comunidade de falantes, determinada, por exemplo, pelo espaço geográfico que os seus componentes partilham, assume e manifesta certos traços que caracterizam a sua variedade. Porém, esse consenso pode mudar com o transcorrer do tempo e isto é algo que acontece continuamente.

A linguística diacrônica é a encarregada de estudar os processos de mudança das línguas no eixo temporal (MATTOS E SILVA, 2008). Com frequência associa-se esta disciplina à observação e análise de períodos temporalmente muito recuados, com base em textos escritos mais ou menos antigos. Contudo, o presente trabalho pretende demonstrar que é possível estudar desde uma perspectiva diacrônica variedades linguísticas de períodos relativamente recentes com base em dados de pesquisas científicas.

No âmbito da língua galega surgiu esta oportunidade graças à existência de três projetos de geografia linguística de que se falará na próxima seção. O uso dessas fontes comporta algumas vantagens, como as derivadas do fato de as informações estarem georreferenciadas e transcritas foneticamente.

Na atualidade é muito comum encontrar projetos como o Vertentes ou o pluridimensional Atlas Linguístico do Brasil (ALiB), que procuram informantes de diferentes faixas etárias, permitindo observar assim a variação em tempo aparente. Por contra, o que aqui se propõe é analisar a variação em tempo real através do aproveitamento de dados tomados em momentos históricos diferentes.

Para mostrar isto serão utilizadas, a modo de exemplo, seis variáveis dialetais do galego, sendo duas morfossintáticas, duas fonético-fonológicas e duas léxico-semânticas.

Métodos e materiais

Atlas Lingüístico de la Península Ibérica (ALPI)

Ideado por Ramón Menéndez Pidal, o ALPI nasce à imitação do Atlas Linguistique Français (ALF), de Jules Guilliéron, com o intuito de dar conta da variação diatópica das línguas românicas da Península Ibérica, excluindo as variedades do vasco ou euskara (NAVARRO TOMÁS, 1962). Ainda que a iniciativa tenha surgido em 1914, o trabalho de campo não começaria até 1931. No caso concreto da Galiza, o levantamento de dados foi feito entre 1934 e 1935.

O diretor do projeto, Tomás Navarro Tomás, reuniu um grupo de especialistas com uma formação linguística avançada e com um conhecimento profundo dos domínios a explorar, sendo falantes nativos, na maior parte dos casos. A área galega foi percorrida por Aníbal Otero, ajudado em ocasiões por Aurelio M. Espinosa.

No desenho da rede de pontos prescindiu-se das grandes cidades e das entidades de muito escassa população. Escolheram-se 528 vilas que fossem referentes comarcais, 53 das quais pertencem a território administrativo galego. Disto resulta uma densidade aproximada de um ponto de inquérito a cada 557 km2.

As caraterísticas que deviam possuir os informantes eram as habituais neste tipo de estudos. Procuravam sujeitos preferivelmente homens, de idade madura —ainda que não excessivamente idosos —, analfabetos ou pouco instruídos, com uma dentadura bem conservada e boa dicção, que não estivessem fora da localidade por muito tempo e cujos familiares fossem também nascidos no lugar. O resultado é um falante que hoje chamaríamos de NORM — non-mobile, older, rural, male — (CHAMBERS & TRUDGIL, 2004).

O questionário compreende 1.259 itens e está dividido em dois grandes blocos: um gramatical, em que se incluem fenômenos fonéticos, morfológicos e sintáticos; e outro léxico-semântico e etnográfico.

O ALPI encontra-se inacabado, apenas chegou a publicar-se um primeiro volume de fonética (NAVARRO TOMÁS, 1962), com uma pequena introdução e 70 mapas com transcrição das respostas por ponto. Muitos dos cadernos originais em que se recolheram os dados estiveram esparsos por diversos lugares durante anos até que o professor canadiano David Heap (2008) os conseguiu reunir.

Atlas Lingüístico Galego (ALGa)

Na década de 60 e inícios de 70 realizaram-se na Galiza numerosas monografias léxicas dialetais com base em pesquisas parciais do território que permitiram dar conta da realidade linguística galega. Mas nem este material nem o do ALPI — inédito na sua maior parte — mostravam-se suficientes para oferecer uma descrição precisa e pormenorizada da variação diatópica do galego (FERNÁNDEZ REI, 1990a). Os professores Constantino García e Antón Santamarina idearam o ALGa com a pretensão de que este projeto conseguisse fornecer dados para um estudo exaustivo dos falares galaicos.

Entre 1974 e 1976, os pesquisadores Rosario Álvarez Blanco, Francisco Fernández Rei e Manuel González González, após receberem formação específica, percorreram os territórios de fala galega para realizar o levantamento de materiais. Um total de 167 localidades conformam a rede do ALGa, resultando uma densidade de aproximadamente um ponto a cada 190 km2, bem maior que a do ALPI.

Os requerimentos para a seleção dos informantes não variaram muito a respeito dos do ALPI, seguindo, no geral, o modelo NORM supracitado. Contudo, pode observar-se uma maior presença de informantes femininas no ALGa. A equipe desbotou o preconceito de os homens serem mais conservadores na fala, muito instalado na Dialetologia tradicional, e não tiveram problema em entrevistar mulheres que, por certo, não faziam serviço militar e tinham, em consequência, menor contato com variedades alheias.

O questionário consta de 2.711 perguntas, mas podem ultrapassar o número de 4.000 se são desglossadas algumas de resposta múltipla como, por exemplo, os meses do ano ou as refeições. As questões compreendidas entre a 1 e a 527 são de índole fonético-fonológica e morfossintática, enquanto as que vão da 528 à 2.711 pertencem ao âmbito léxico-semântico e estão agrupadas tematicamente.

Já foram publicados cinco volumes do ALGa: v.I,1 Morfoloxía verbal; v.I,2 Morfoloxía verbal; v.II Morfoloxía non verbal; v.III Fonética; v.IV Léxico. Tempo atmosférico e cronolóxico; v.V Léxico. O ser humano I. Está-se trabalhando na edição do v.VI O léxico do hábitat: terra, plantas e árbores e do v.VII Léxico. O ser humano II.

O projeto ALPI-Galicia e a Nova Enquisa (NEnq)

Em 2005, baixo a direção do professor Xulio Sousa, nasce o projeto ALPI-Galicia para tratar de aproveitar os materiais galegos do ALPI. Com os cadernos originais digitalizados, iniciaram-se os trabalhos para a elaboração de uma base de dados. Numa primeira observação dos materiais chamaram a atenção algumas diferenças em relação aos resultados do ALGa para as mesmas questões e nos mesmos pontos. Um estudo um pouco mais detalhado revelou que determinados fenômenos mostravam mudanças na sua distribuição diatópica ao se comparar os dados de ambos dois projetos.

O tempo transcorrido entre os inquéritos do ALPI e do ALGa é de aproximadamente 40 anos. O período demonstrou-se suficiente para apreciar mudanças significativas, pelo que se considerou que seria interessante fazer um novo inquérito, tendo em conta que já passaram mais de três décadas desde o levantamento de dados do ALGa. Assim, em 2008 procedeu-se ao desenvolvimento da Nova Enquisa (NEnq).

A rede de pontos da NEnq está formada exatamente pelas mesmas 53 localidades que a rede do ALPI tem em território administrativo galego. A equipe era consciente da menor densidade desta em relação com a do ALGa, mas havia que ter em conta, de uma parte, que o ALPI era o ponto de partida e, de outra, que não se pretendia fazer um novo atlas linguístico. A maioria destas localidades fazem parte também da rede do ALGa. Naqueles (poucos) casos em que não há uma correspondência absoluta, selecionaram-se para a comparação os pontos do ALGa mais próximos seguindo critérios fundamentalmente geográficos, mas também linguísticos. Por questões de praticidade foi mantida a numeração dos pontos do ALPI.

As caraterísticas exigidas aos informantes foram as mesmas que nos projetos anteriores. Como no ALGa, não houve preferências em relação ao sexo dos sujeitos. É óbvio que cada vez resulta mais difícil encontrar pessoas iletradas e que não viajaram. Contudo, também se intentou cumprir com estes requerimentos na medida do possível; quase a totalidade dos entrevistados contava apenas com estudos primários incompletos e não tinham permanecido fora da sua localidade natal por um tempo considerável.

O primeiro passo para a elaboração do questionário consistiu na seleção de todos aqueles itens coincidentes entre os questionários do ALPI e do ALGa, dando um total de 1.077. Em seguida escolheram-se 368 perguntas que foram consideradas como mais relevantes para o estudo de determinados fenômenos considerados chave nas descrições dialetais do galego (FERNÁNDEZ REI, 1990b).

Com os materiais levantados procedeu-se à elaboração de uma base de dados conjunta que facilitasse a comparação dos materiais dos três projetos. As gravações da NEnq foram transcritas em IPA e as formas recolhidas nos cadernos de ALPI e ALGa, transcritas com o alfabeto fonético da Revista de Filología Española (RFE), foram transportadas também para IPA, após a necessária determinação das equivalências (RODRÍGUEZ, 2008). Esta unificação dos critérios de transcrição e a geral homogeneidade metodológica existente entre os projetos (mesmas perguntas, mesmo tipo de informante, mesmo tipo de pesquisador) dá como resultado um corpus de dados comparáveis tomados em três momentos históricos diferentes, nos mesmos lugares.

Resultados

Distribuição das variantes ti / tu 

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Em boa parte do território galego existe uma forma ti para o nominativo da segunda pessoa do singular. Provém da forma tónica para dativo (no sistema em que se dá produz-se, portanto, uma neutralização: ti suj estás facendo moito ruído / trouxen isto para ti ci) e, em última instância, da forma latina tibi. Na área restante mantem-se a forma etimológica tu e, por conseguinte, a distinção entre nominativo e dativo (MARIÑO, 1999).

Na figura 1 pode-se observar como a distribuição das duas formas sofre apenas uma pequena alteração no período estudado. Nos dados do ALPI, o ponto 118 mostra a variante tu, enquanto ALGa e NEnq mostram ti. Os dados sociolinguísticos revelam, para essa área, um maior prestígio da forma ocidental.

Distribuição das variantes ladróns / ladrós / ladrois

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Diferenciam-se três grandes blocos linguísticos galegos em função do modo de construir o plural dos nomes que acabam em -ón (FERNÁNDEZ REI, 1990b). Tomando como exemplo as formas representadas na figura 2, pode-se explicar a evolução histórica disto. O latino lātrōnes, após a queda no -n- intervocálico, dá uma forma ladrõẽs, comum a galego e português arcaicos. Na passagem à Idade Moderna, na maior parte da Galiza perdem-se as vogais nasais. O galego oriental vai desenvolver uma forma ladroes e, posteriormente, a forma ditongada atual ladrois. No resto do território, a partir de uma forma ladrõõs, o galego central vai desenvolver o atual ladrós pela perda total da nasalidade e a redução vocálica, enquanto o galego ocidental vai desenvolver o atual ladróns recuperando uma consoante nasal (MARIÑO, 1999).

No mapa do ALPI pode-se ver como o ponto 143 mostra duas respostas, ladróns e ladrós. O pesquisador anotou que a primeira foi pronunciada pelo informante principal e a segunda pelo filho. No mapa do ALGa constata-se o triunfo da forma preferida pelo mais novo. Na NEnq observa-se uma solução dupla no ponto 149. O sujeito informa que quando vai à capital de comarca assume a forma habitual lá, que é a do galego central.

Distribuição dos falares com e sem fricativa interdental surda /θ/ 

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A partir da africada pré-dorso-dental surda /ts/ existente no período arcaico, boa parte do galego desenvolveu uma fricativa interdental surda /θ/. Onde isto não se dá existem maioritariamente um sistema com fricativa ápico-alveolar surda /s̺/ ou um sistema com fricativa pré-dorso-alveolar surda /s/.

Na figura 3 pode-se apreciar que a distribuição dos falares com interdental permanece quase inalterada ao longo do período estudado. Apenas há uma mudança: na passagem do ALPI ao ALGa vê-se que o ponto 143, uma ilha rodeada de falares com interdental, acaba por se integrar no sistema majoritário.

Os falares sem interdental são tradicionalmente considerados como pouco prestigiados. Porém, os mapas mostram claramente que isto não deve ser motivo suficiente para a mudança, pois o seu espaço mantem-se quase sem modificações.

Distribuição da gheada

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A gheada é um fenômeno consistente em que no lugar do fonema oclusivo velar sonoro /g/ existe um fonema fricativo cujo ponto de articulação pode ir do véu do palato à glote e pode ter ou não sonoridade, mas que habitualmente é faringal surdo /ћ/. Em posição interior de palavra após nasal geralmente mantem-se. Além da distribuição diatópica, tem também distribuição social; em situações formais tende a evitar-se (ÁLVAREZ & XOVE, 2002) e costuma identificar-se como um signo de rusticidade e incultura.

Essa falta de prestígio deve ser a causa do aparente retrocesso do fenômeno que se pode apreciar na figura 4. O que se representa nos mapas é a porcentagem de respostas com gheada a um total de 19 perguntas selecionadas. Pode-se ver como, paulatinamente, o /ћ/ vai cedendo território ao /g/. No mapa do ALPI, o ponto 124 mostra 100% de respostas com gheada. Trata-se, no caso, de um fenômeno sem continuidade geográfica, uma ilha gheadófona que pode estar indicando que num tempo anterior a gheada ocupava um maior território (FERNÁNDEZ REI, 1990b).

Os dados do ALPI mostram uma porcentagem inferior a 50% de respostas com gheada para os pontos 119 e 126. No mapa do ALGa já se observa a ausência do traço nesses lugares. O ponto 121, com mais de 50% de respostas com gheada no ALPI, mostra no ALGa uma redução desse número a zero. Nos pontos 118, 148 e 151, de gheada plena no ALPI, perdem essa categoria no ALGa. Na passagem do ALGa à NEnq, a gheada desaparece dos pontos 114, 128, 129 e 151. Como se pode ver no mapa, em outros muitos pontos a porcentagem desce do 100%.

Da observação dos dados deduz-se uma tendência geral ao esmorecimento do fenômeno, num retrocesso do seu espaço em direção ao oeste. Poderia parecer que, de continuar com esta propensão, a gheada acabaria por desaparecer nos próximos anos. Contudo, é preciso sinalar que as localidades que formam a rede de pontos são “referentes comarcais” em que a caraterização negativa do mesmo pode pesar mais que em lugares menores, de ambiente mais rural, em que a gheada se mantém com maior vitalidade.

Distribuição nó / nudo

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A convivência das línguas galega e castelhana na Galiza tem produzido, como é óbvio, numerosas interferências nos dois sentidos. De maneira geral, as interferências do galego no castelhano costumam ser de tipo fonético e morfossintático, enquanto as do castelhano no galego costumam ser de tipo léxico-semântico (MONTEAGUDO, 1999).

Deve-se ter em conta que o contato não se dá em igualdade de condições, mas num marco diglóssico de tipo conflitivo (KLOSS, 1973). Isto significa que o castelhano é a língua com maior prestígio e que, portanto, as formas castelhanas tem uma alta probabilidade de triunfar inseridas no galego comum.

Na figura 5 mostra-se a distribuição da forma patrimonial galega e a forma de origem castelhana nudo. No mapa do ALPI, nudo aparece apenas em 16 pontos sem uma clara continuidade geográfica, sendo que em quatro deles foi recolhida como segunda forma, ao lado de . Nos dados do ALGa, os registros de nudo proliferam e nos casos de resposta dupla encontram-se notas que apontam a uma certa especialização semântica: faz referência “ao das plantas”, enquanto nudo alude ao ‘laço’. A NEnq mostra que nudo acabou estendendo-se por todo o território, deslocando, quase por completo, a forma patrimonial.

Distribuição tixola / cazola / sartén

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Por tratar-se de uma questão léxico-semântica as variantes obtidas para as designações galegas para ‘frigideira’ foram reduzidas a três. Ficaram fora, pois, variantes fonéticas como tixela (/tiˈʃɛla/) ou casola (/kaˈsɔla/, /kaˈs̺ɔla/). As formas agrupadas baixo o lema tixola e as agrupadas baixo o lema cazola são vozes galegas patrimoniais. A forma sartén é de origem castelhana.

Na figura 6, no mapa correspondente ao ALPI, pode-se ver como tixola e cazola constituem duas áreas relativamente compactas ao norte e sul do território respetivamente. Pela sua parte, sartén aparece registrada em até 32 pontos, em muitos dos quais é a primeira resposta, ao lado de uma das formas patrimoniais que vem marcada em nota como “antiga”. Nos dados do ALGa e, especialmente, nos do ALPI, percebe-se que as formas patrimoniais cedem ante o impulso da forma nova.

Conclusões

A representação cartográfica das respostas a essas seis perguntas, realizadas nos mesmos lugares, com a mesma metodologia e em diferentes momentos, permite observar a evolução dos fenômenos no eixo temporal. No caso, foram apresentadas algumas questões que não mostraram grandes mudanças ao longo do período estudado. A distribuição de ti / tu, a de ladróns / ladrós / ladrois e a dos sistemas com e sem fricativa interdental surda /θ/ apenas sofreram alterações. De outra parte, a distribuição da gheada, a de / nudo e a de tixola / cazola / sartén, sim experimentaram modificações notáveis. Nos três casos, a motivação para a mudança deve ser procurada em relação com questões de prestígio ou desprestígio de certas formas.

Contudo, cabe lembrar que os sistemas sem interdental não gozam da melhor consideração e, ainda assim, mantiveram o seu espaço geográfico quase intacto, segundo se depreende dos dados analisados. Deve ser, portanto, mais complexa a explicação da mudança / não-mudança linguística e devem ser inúmeros os fatores psicossociais envolvidos. Porém, com os dados disponíveis, o presente trabalho pretendia apenas descrever a evolução de alguns aspetos dialetais do galego e mostrar um método de trabalho para estudar a variação em tempo real. 

Referências

ÁLVAREZ, R.; XOVE, X. (2002). Gramática galega. Vigo: Galaxia.

COSERIU, E. (1982). Sistema, norma y habla. In: ______. Teoría del lenguaje y lingüística general. Madrid: Gredos. p. 11-113.

CHAMBERS, J. K.; TRUDGILL, P. (2004). Dialectology. Cambridge: Cambridge University Press.

FERNÁNDEZ REI, Francisco. (1990a). Atlas Lingüístico Galego, v.I,1-Morfoloxía Verbal. A Coruña: Instituto da Lingua Galega / Pedro Barrié de la Maza.

FERNÁNDEZ REI, Francisco. (1990b). Dialectoloxía da Lingua Galega. Vigo: Galaxia.

HEAP, David. (2008). The Linguistic Atlas of the Iberian Peninsula (ALPI): a geolinguistic treasure ‘lost’ and found. Toronto Working Papers in Linguistics, v.27, p.87-96.

KLOSS, Heinz. (1973). Explorations in Sociolinguistics. Bloomington: Indiana University.

MARIÑO, Ramón. (1999). Historia da lingua galega. Santiago de Compostela: Sotelo Blanco.

MATTOS E SILVA, Rosa Virgínia (2008). Caminhos da linguística histórica: ouvir o inaudível. São Paulo: Parábola.

MONTEAGUDO, Henrique. (1999). Historia social da lingua galega. Idioma, sociedade e cultura a través do tempo. Vigo: Galaxia.

NAVARRO TOMÁS, Tomás. (1962). Atlas Lingüístico de la Península Ibérica, v.1, Fonética-1. Madrid: Consejo Superior de Investigaciones Científicas.

RODRÍGUEZ LORENZO, David. (2008). Evolución diatópica da gheada no século XX. Análise contrastiva dos materiais que ofrece a xeografía lingüística. 1 v. 103 p. Dissertação (Mestrado em Linguística). Instituto da Língua Galega. Universidade de Santiago de Compostela.

 

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