Entrevista a Ingrid Ferreiro, galega no Rio de Janeiro

Sara Aguillar

Aluna de Literatura galega I e Lingua galega na UERJ

Ingrid

 

  1. Qual é o seu nome completo?

    Ingrid Ferreiro Morgade

  2. Quantos anos têm?

    29

  3. Há quanto tempo estás no Brasil?  Porque decidiu vir para cá?

    Há três anos e meio que estou no Brasil, desde fevereiro de 2011. Cheguei para fazer uma pós em turismo na UFRJ.

  4. Sentiu muita dificuldade para se adaptar?Comente suas experiências

    Sim, cheguei e fiquei meio confusa pois já tinha estado no Brasil (Goiânia e Brasília em 2010) e lá era bem diferente do Rio. Cheguei e fui morar na Baixada Fluminense por 6 meses para colaborar num projeto de alfabetização de crianças, uma realidade bem diferente do cartão postal do Rio de Janeiro, Copacabana e Ipanema… Mas que me ajudou muito a compreender a realidade, triste desde meu ponto de vista, da situação social da população do Brasil. Hoje já há mais de 3 anos que moro na cidade, Rio Comprido, um bairro que continua me lembrando a cada dia a injustiça social mas que me motiva para tentar continuar ajudando naquilo que me for possível.

  1. O que mais lhe atrai no Brasil?

    As pessoas e a cultura, a mistura… São um tudo.

  1. Você trabalha com o turismo. Como é o turismo aqui no Brasil e o que diferença o turismo na Galiza? Qual é o mais valorizado e mais bem pago

    Aqui o turismo está maioritariamente focado para as classes altas e o estrangeiro. Essa é a minha percepção. Não acho que o pessoal que trabalha aqui com turismo seja qualificado, portanto os salários também são bem menores.

  1. Pretende voltar para Galiza? Ou pretende ir lá só a passeio e continuar vivendo e morando no Brasil?

    Pretendo voltar sim, mas não por enquanto. Acho que sempre queremos ou voltamos para as nossas origens.

  1. O que acha da desigualdade social do Brasil?

    É um assunto que me toca muito no meu coração, desde que cheguei até hoje. Acho que por isso não conseguiria viver para sempre assim, um pais tão rico e tão desigual. Gostaria que houvesse uma revolução e pudesse melhorar toda a parte de serviços mínimos que toda a população deveria ter.

  2. Você achou coisas aqui no Brasil que também fazem parte da cultura galega?

    Romeu e Julieta, marmelada com queijo, sobremesa galego portuguesa que aqui foi adaptada pela goiabada; o polvo; o empadão, empadas, broa, as castanhas “portuguesas”…

  3. Você acha que deveria ter um estudo mais amplo dessas culturas (brasileira e galega) que são ao mesmo tempo tão próximas e tão distantes? (Pelo fato de poucas pessoas as conhecerem)

    Claro, primeiro deveria ser conhecido que a língua nasceu no antigo reino da Galiza… e começando por ai poderia ser relacionada a nossa cultura com a de vocês, pois tudo está interrelacionado.

  4. Gostaria de saber também sobre a educação na Galiza. Como se divide? É boa ou precária? Quanto os professores ganham? Eles têm autonomia para fazerem o que quiserem ou são proibidos de falar/dar determinado assunto ou matéria?

    A educação pública na Galiza é muito boa. A privada também, mas todos temos direito a estudar na pública. O único é que estamos na luta por um ensino em galego, ou pelo menos com a maioria das matérias em Galego. Os professores ganham razoavelmente. Se divide em ensino infantil, educação primária, secundária, bacharelato e após isso temos de fazer o “seletivo” que é como o vestibular de vocês aqui e depois já a universidade.Os professores têm certa autonomia mas têm que seguir umas diretrizes que veem marcadas já desde a conselharia de educação do governo da Galiza.

  5. Vir para o Brasil foi o esperado? Como foi a recepção dos brasileiros?

    Acho que foi melhor do esperado… de não ser assim acho que depois de terminar a minha pós em Turismo, teria voltado para o meu país. Eu tive um recebimento maravilhoso, como já comentei primeiro morei em Nova Iguaçu, depois no Rio de Janeiro, e não posso reclamar, só agradecer, realmente faz a diferença.

  6. Teve alguma decepção com o Brasil?

    A grande decepção é a burocracia e os “ladrões” que têm este pais… todos têm mas aqui é demais. Tudo sempre pelo jeitinho e ficaria melhor sem despachantes e afins.

  7. O que achou dos preparativos para a COPA? Valeram a pena?

    Sou e era contra a Copa… não porque não goste de futebol mas sim porque num pais onde a educação e a sanidade, direitos básicos, estão bem por baixo de países com menos recursos. Colocar o futebol como centro de prioridades acho uma besteira e uma desconsideração com as pessoas que vivemos e pagamos impostos, para ter que estudar numa escola particular e ter um plano de saúde. Valeu a pena a infraestrutura dos estádios e em volta deles… não, para mim não.

  8. Acha que a COPA realmente trouxe mais turistas para o Brasil e vai valorizar essa área ou acabada a COPA já era?

    Sim, trouxe mais turistas do esperado e o povo brasileiro se destacou pela gentileza e boa acolhida… mas isso também iria se conseguir com menos dinheiro e com uma política voltada ao turismo internacional mais competitiva: feiras de turismo, campanhas de marketing no exterior… acho que não era preciso o gasto público em infraestruturas esportivas e segurança, como já disse antes.

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