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As Letras Galegas ’16 em Salvador

Três são as atividades que terão lugar em Salvador para comemorar as Letras Galegas ’16, este ano dedicadas ao poeta chairego Manuel María.

Terça-feira 17 de Maio.

-Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia. A professora Elena Veiga lecionará o minicurso A Galícia através das cantigas medievais dos trovadores galegos: Johan de Cangas, Martin Códax e Meendinho na Sala 204 das 13:00 às 14:40.

Associação Caballeros de SantiagoDas 19:00 às 21:15 horas aconteceram várias atividades para homenagear Manuel Maria: apresentação de documentários, palestras, música ao vivo, lançamento de livros e até degustação gastronômica:

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Terça-feira 24 de Maio.

-Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia. A partir das 17:00 horas haverá a apresentação de documentários, palestras, petiscos, foliada musical, sarau com leitura de poemas e se darão os prémios do Concurso CELGA 2016. Toda a informação poderá ser consultada no site do Centro de Estudos da Língua e Cultura Galegas.

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Os Estudos Galegos na Bahia

Elena Veiga

Professora-leitora de galego na Universidade Federal da Bahia (UFBA)

Para compreender a importância do Centro de Estudos da Língua e cultura Galegas (CELGA) na Bahia é preciso que conheçamos também a importância da universidade na que se integra. A Universidade Federal da Bahia é uma instituição pública de ensino superior fundada o 18 de fevereiro de 1808, quando o Príncipe Regente Dom João VI instituiu a Escola de Cirurgia da Bahia, primeira titulação universitária do Brasil. Ainda no século XIX, incorporou os diplomas de Farmácia (1832) e Odontologia (1864), a Academia de Belas Artes (1877), Direito (1891) e a Escola Politécnica (1896). No século XX, Isaías Alves cria a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (1941) à que está ligada o CELGA.

A UFBA é hoje considerada a maior e mais influente universidade do Estado da Bahía. Tem a sua sede na cidade de Salvador e um campus avançado no interior, localizado em Vitória da Conquista. É uma instituição mantida pelo Governo Federal do Brasil, vinculada ao Ministério de Educação e que possui regime jurídico de autarquia. Oferece até 112 titulações de grau diferentes e 165 cursos de pós-graduação. Conta com mais de 41.000 alunos e 2.400 professores.

A tradição dos estudos galegos na cidade de Salvador começa no 1975, ano em que vários professores e alunos da área de Letras Vernáculas da UFBA fundaram o CEG (Centro de Estudos Galegos). Porém, não foi até 1995 quando se cria o novo CELGA, fruto do convênio de colaboração assinado pela UFBA e a Secretaria Geral de Política Linguística da Xunta de Galicia.

Sem dúvida, se há uma figura que se caracterize pela sua importância na fundação e desenvolvimento dos estudos galegos na Bahía, essa foi Rosario Suárez Albán, mulher que dedicou toda a sua trajetória acadêmica à Galícia, à sua língua, à sua literatura e à sua cultura. Filha de emigrantes galegos na Bahia, foi uma grande divulgadora da pesquisa sobre diversos aspetos relacionados com a terra dos seus antepassados, prestando especial atenção ao romanceiro galego. Várias foram as iniciativas que nos últimos anos tentaram homenagear a figura de Rosario Suárez Albán desde o CELGA da UFBA. Pensamos, por exemplo, no I Encontro Brasileiro de Estudos Galegos, que se celebrou na Universidade Federal da Bahia entre os dias 13 e 15 de abril de 2015. Constituiu um evento que congregou a boa parte das pessoas que desde o Brasil trabalha cuma perspectiva científica no estudo da língua, a cultura e a literatura galegas. Aliás, contou com a participação do Sr. Valentín García, Secretário Geral de Política Linguística da Xunta de Galicia, e de cinco grandes pesquisadores chegados da Galícia: Rosario Álvarez, Henrique Monteagudo, Pilar Cagiao, Ana Boullón e Gonzalo Navaza.

Aproveitou-se a ocasião para apresentar publicamente duas obras em que o equipo do CELGA leva tempo trabalhando: a opera omnia da professora Rosario Suárez Albán (vesão preliminar) e o documentário sobre a sua vida e a história dos estudos galegos na Bahia e no mundo.

As jornadas também foram importantes para a consolidação de projetos de pesquisa em que estão implicadas as universidades galegas e a UFBA (junto com outras universidades brasileiras), como o Tesouro do Léxico Patrimonial Galego e Português. Serviu também para promover a cooperação em outras áreas de estudo como a Sociolinguística, a Dialectologia e a Onomástica, em que a Galicia é referente mundial. Além disso, foi uma boa divulgação do sistema universitário galego, ao que cada vez mais brasileiros acodem para cursar os seus estudos de pós-graduação.

Contou com 74 participantes, oriundos de diversas partes do Brasil e da Galicia, com um número expressivo de sessões de comunicações, sessões coordenadas e conferências. Sem nenhuma dúvida, foi um evento que marcou a história dos estudos galegos universitários no Brasil, contando com menções elogiosas de parte de diversos órganos e instituições de prestígio.

O CELGA está integrado na estrutura do Instituto de Letras da UFBA, dentro do Departamento de Letras Românicas. Mailson dos Santos Lopes, professor titular do mesmo departamento, é o coordenador. Elena Veiga Rilo é a atual leitora.

Oferecem-se três matérias integradas no currículo de Letras: Noções de língua e literatura galegas, Cultura galega e Estudos de literatura galega contemporânea. São matérias eletivas, mas por causa da crescente demanda está-se lutando porque sejam estas matérias optativas. Essa crescente demanda de alunos que querem cursar as matérias é devida à promoção do CELGA através de atividades de extensão, também através de acordos com grupos de pesquisa locais e da posta em marcha de projetos comuns.

O fato de que cada ano o CELGA convoque um concurso de trabalhos que podem versar sobre qualquer aspeto da nossa língua ou da nossa cultura fez que o interesse pela escolha das matérias tenha aumentado. É um concurso aberto a todos os alunos que cursaram alguma das matérias de galego do currículo do Instituto de Letras da UFBA e o prêmio para o melhor original consiste numa viagem a Santiago de Compostela para assistir aos Cursos de verão de língua e cultura galegas para pessoas de fora da Galícia.

Tem-se colaborado desde há uns anos desde o CELGA com várias revistas que também ajudam a dar a conhecer o trabalho feito para visibilizar a língua, a literatura e a cultura galegas, como pode ser a Revista CRE.

Atualmente, para continuar com essa difusão, o CELGA está trabalhando na renovação do seu site oficial através da colaboração com o Centro de Processamento de Dados (CPD) da UFBA. A nova estrutura de conteúdos e o novo desenho permitirão aos usuários um melhor acesso à informação e facilitarão a interação com a equipa do CELGA, que poderá administrar o site de maneira autônoma. Deste jeito, se poderão dispor no portal os anúncios dos eventos programados, os temários das matérias, o histórico de produção científica ou links a ferramentas online fundamentais (como, por exemplo, o dicionário da Real Academia Galega), entre outras questões de interesse para os alunos e o público geral.

Criou-se um usuário e uma página do CELGA no facebook (www.facebook.com/ufbacelga), onde o Centro de Estudos da Língua e Cultura Galegas se faz mais visível e accessível.

[vídeo] O Dia de Rosalía na Bahia

Elena Veiga

Professora-leitora de Galego na Universidade Federal da Bahia

A voz de Amancio Prada encheu os jardins da UFBA o dia 24 de fevereiro. Era difícil que numa das tardes habituais dos arredores da universidade um grupo de pessoas lendo poemas chamasse a atenção, naquele clima sempre constante de expressões artísticas e conexão com a terra: Ao nosso lado, quatro homens deitados na lama tentavam sentir a terra mãe ao ritmo de tambores africanos. A dez metros, bem na frente da entrada da Biblioteca, uma mulher com os olhos vendados se jogava água encima ao som de Céline Dion, numa performance hipnótica que reivindicava em cartazes escritos com pintura de dedo a necessidade de nos vermos, de viver em sociedade.

Rosalía berrou mais alto. Berrou-na Amancio desde um CD dos anos noventa. Berraram-a todos os alunos das matérias de Estudos da Literatura Galega Contemporânea e Noções de língua e literatura galegas, na que foi a primeira atividade do ano.

Houve quem disse que Rosalía podia ser melhor lida na praia. O homem que vendia cocadas com publicidade de Star Wars esteve de acordo, lembrou-nos que nem tudo podia ser perfeito mas que sempre era melhorável, “com as cocadas vai além”. Ganhou bastante e conheceu Rosalía.

Lemos Rosalía en Cantares Gallegos, en Follas Novas e até em Lois Pereiro. Lemos a Rosalía Pop e Underground. Houve até quem leu Rosalía em Frida Kahlo, entendendo-a como mito imortal por não lhe cantar aos pombos nem às flores, como ela bem disse. Outros leram-a nas vidas dos avós emigrados à Bahía e emocionaram-se ao tempo que tiravam do bolso um pano com o mapa da Galícia onde alguém há anos tinha sublinhado Ponte Caldelas, estando bem longe da terra.

Ao final conectamo-nos nós também com a terra mãe, prometendo-nos continuar cantando à Galícia em língua galega.